20.7.14

RAMIFICAÇÕES DA INFIDELIDADE OU O EFEITO DOMINÓ


Vocês se desviaram do caminho e pelo seu ensino causaram a queda de muita gente. Malaquias 2:8

O pecado começa como teia de aranha, mas torna-se uma camisa de força. -- J. C. Ryle

Quando alguém com sua boca diz que é fiel a Deus mas com suas ações é desobediente e rebelde, tudo que gira ao redor dessa pessoa sofre, corrompe-se e se degrada. Muitos dos nossos maiores prejuízos espirituais são consequências de pequenos desvios, de pequenos tropeços; a primeira pedra do dominó. Quando quebramos nossos votos a Deus, nosso relacionamento com as outras pessoas também são prejudicadas. E não adianta chorar se o coração tiver duro. Somente o arrependimento verdadeiro restaura a plena comunhão com Deus e com as pessoas ao nosso redor.

O que Deus requer de nós? Tão somente como Ele declarou ao profeta Miquéias:

Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o Senhor pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a benignidade, e andes humildemente com o teu Deus? Miquéias 6:8

Praticar a justiça é a base ética dos Mandamentos de Deus juntamente com a piedade, e obedecer (andar humildemente) é o único caminho seguro para que os outros relacionamentos pessoais andem bem. Aquele que não é fiel a Deus, ainda que ele seja uma pessoa exemplar e pareça um bom marido, um bom amigo, sem a fidelidade verdadeira com Deus, tudo desmorona, pois não passa de uma grande mentira e pecaminosidade. Quando dizemos que Cristo é Senhor mas não andamos em plena comunhão com ele somos mentirosos e fariseus. A convicção de pecado é em sua origem a convicção de um relacionamento errado com Deus. Não adianta chorar, não adianta chamar "Senhor, Senhor!", é o que ensina a Palavra:

E por que me chamais, Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu digo? -- Lucas 6:46

Como em Malaquias 2.10, muitas vezes somos como aquele povo citado, infiéis uns com os outros. E que fique claro, quando nos encontramos infiéis para com o nosso próximo é porque antes fomos infiéis para com Deus. E no contexto de Malaquias, de modo especial, os líderes religiosos, os sacerdotes, eram grandemente responsáveis pelos danos, pois eles desviavam o povo, e não podiam manter fidelidade ao povo quando já haviam quebrado seus votos a Deus. Percebe o efeito dominó?

A apostasia começa quando não se mantém na origem o temor a Deus e o amor pelos mandamentos. A consequência é que não é possível respeitar os mandamentos que se relacionam com o próximo. E esta infidelidade se ramifica atingindo todas as nossas áreas de relacionamentos, trabalho, igreja, família e sociedade. De modo especial, o campo mais prejudicado é o casamento -- as primeiras pedras do dominó. Seja através de um relacionamento condenável como casar com incrédulos, seja com a prática do divórcio, algo abominável para Deus. Cuide de sua comunhão com Deus, da adoração sincera, da fidelidade. "O temor reverente a Deus é a chave para a fidelidade em qualquer situação", como já disseram.




17.7.14

COMO CALAR A BOCA DOS INIMIGOS


Parece um tanto "não cristão" um texto que fala em calar a boca de alguém, mas é bíblico. No entanto, não é um "cala-boca" qualquer e de qualquer maneira, como um ato agressivo que triunfa a ignorância e ira. Não é isso! As analogias ligadas aos cristãos, por si só, já apontam como funciona esse "calar". Os cristãos são chamados, entre outros adjetivos, de "pedras vivas", "sal", "luz" e pelos frutos se pode conhecer a natureza.

O simples fato (que não é simples!) de andar nos caminhos do Senhor e glorificar a Deus através do Espírito Santo INCOMODA os inimigos de Cristo. O simples fato de se esforçar em santidade e boas obras já é motivo de incômodo para quem não é de Cristo. Não poucas as vezes, as pessoas que não têm comunhão com Cristo, acusam os cristãos de fazerem o mal. Mas a Palavra ensina que, apesar de sermos acusados, chegará uma hora em que eles verão nossas boas obras e glorificarão a Deus.

A consciência correta sobre o assunto é importante. Por mais que a gente se esforce para viver praticando o bem e em paz com nossos vizinhos incrédulos, sempre poderá existir algum tipo de calúnia e difamação. E que não devemos esperar justiça de pessoas injustas, lembrando que todos nós somos injustos e que dependemos totalmente da justiça de Jesus Cristo para nos aperfeiçoar. E que, apesar das injustiças, devemos continuar nos esforçando em honrar ao Senhor com nosso comportamento e atitudes. Manter uma conduta justa e piedosa diante de malfeitores não é uma tarefa fácil. Mas a Palavra ensina que as nossas boas obras glorificam a Deus e em seu tempo, calam a boca dos inimigos.

Tendo o vosso viver honesto entre os gentios; para que, naquilo em que falam mal de vós, como de malfeitores, glorifiquem a Deus no dia da visitação, pelas boas obras que em vós observem. 1 Pedro 2:12

Porque assim é a vontade de Deus, que, fazendo bem, tapeis a boca à ignorância dos homens insensatos. 1 Pedro 2:15

Tendo uma boa consciência, para que, naquilo em que falam mal de vós, como de malfeitores, fiquem confundidos os que blasfemam do vosso bom porte em Cristo. 1 Pedro 3:16

Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus. Mateus 5:16-17

Lembre-se de Daniel quando seus inimigos tentavam encontrar motivos para acusações e não podiam encontrar NENHUMA corrupção nele, porque ele não era corrupto nem negligente. Cf Dn 6.4.

Paulo ensinava que devíamos ter o cuidado de fazer o que é certo, não só aos olhos de Deus, mas também aos olhos das pessoas. -- Pois zelamos do que é honesto, não só diante do Senhor, mas também diante dos homens. 2 Coríntios 8:21

São muitos os exemplos para que andemos honestamente e em justiça. A Palavra de Deus nos exorta todo tempo a evitar certos pecados, pois nossos desejos carnais são destrutivos. Naturalmente, quando somos ofendidos queremos "matar" a quem nos ofende. Porém, o Espírito Santo ensina a "morte do pecado"; a mortificação. -- Se teu inimigo tiver fome, dá-lhe pão para comer... porque assim lhe amontoarás brasas vivas sobre a cabeça... Pv 25.21,22. -- É constrangedor receber o bem quando se paga com o mal.

A melhor maneira de calar nossos inimigos é fazendo o bem, é viver honestamente entre os ímpios. Os cristãos antigos eram acusados de virar o mundo de cabeça para baixo, de serem subversivos, de serem contra os governantes, de serem ateus (pois não eram politeístas), de serem blasfemadores da idolatria do povo, mas eram biblicamente exortados a observar as boas obras para que calassem a boca dos inimigos e continuavam a fazer o bem.

Segundo as Palavras do Senhor:

Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; Mateus 5:14

Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus. Mateus 5:16

As boas obras falam à vista de todas as pessoas, é como uma luz na escuridão. Os cristãos devem fazer a coisa certa primeiramente diante de Deus; aos olhos de Deus, e consequentemente, essas obras falarão por si a todos, em muitas situações. As boas obras são parte da religião professa, não toda religião, mas parte importante, tão importante que toda religiosidade falsa e hipócrita tenta se esconder atrás dessa aparência externa luminosa do Evangelho de Cristo.

A fé prática cristã tem o poder de transformar o mundo, o mesmo mundo que odeia, zomba e persegue os ensinos de Cristo. A escravidão humana era uma prática comum e legal até recentemente na história, mas de modo gradual desapareceu onde a lei cristã do amor prevaleceu -- E como vós quereis que os homens vos façam, da mesma maneira lhes fazei vós, também. Lucas 6:31. --  Na antiguidade, quando os pagãos abandonavam seus parentes mais próximos contaminados com alguma praga, os cristãos que cuidavam dos doentes e mortos. Quando em guerras, muitos pagãos deixavam seus mortos sem sepultura após as batalhas e os feridos a perambular pelas estradas, os discípulos de Cristo que ofereciam sepultamento digno e alívio aos sofrimentos. Todos esse exemplos faziam com que muitas pessoas não cristãs glorificassem a Deus. E este é o objetivo de fazer o bem, glorificar a Deus, não a nós. Os antigos cristãos sempre ensinaram que, embora... os discípulos devam ser vistos praticando boas obras, eles não devem praticar boas obras para serem vistos. O ser visto é uma consequência natural da luz que não pode ser escondida.



No capítulo XVI da Confissão de Westminster, parte da segunda seção, sobre as Boas Obras, diz que: "Estas boas obras, feitas em obediência aos mandamentos de Deus, são o fruto e as evidências de uma fé viva e verdadeira (Tg 2:18,22); por elas os crentes manifestam a sua gratidão (Sl 116:12,13; 1 Pe 2:9), fortalecem a sua confiança (1Jo 2:3,5; 2Pe 1:5-10), edificam os seus irmãos (2Co 9:2; Mt 5:16), adornam a profissão [de fé] do Evangelho (Tt 2:5,9-12; 1Tm 6:1), tapam a boca aos adversários (1Pe 2:15) e glorificam a Deus (1Pe 2:12; Fp 1:11; Jo 15:8). -- Então que fique bem claro que, o CALAR A BOCA dos inimigos é uma consequência natural da ação do Espírito Santo que faz com que o cristão aja em obediência a Lei de Deus, com gratidão, confiança, edificação e todas as outras coisas para a GLÓRIA DE DEUS.



Raniere Menezes

22.6.14

10 orientações infalíveis para ser um cristão mais alegre e bem humorado


O pessimista parece que anda com uma nuvem escura sobre a cabeça e vive se lamentando "ó vida, ó azar." Por onde passa transmite coisas negativas. Deus quando criou o homem, assim o fez para que também sorrisse. As melhores confissões de fé ensinam: O fim principal do homem é glorificar a Deus e alegrar-se nele. Quando temos prazer em Deus, temos verdadeira felicidade, nos mais... no mais são momentos alegres, mas que também são importantes. 

A alegria pode ser algo contagiante. A fisionomia facial do sorriso é um privilégio nosso dado pelo Criador. Do mundo empresarial ao mundo científico, hoje em dia, o aspecto do humor recebe uma atenção especial, pois existem associações importantes em relação a humor e atitudes, comportamentos, decisões e saúde.

A palavra do século é DEPRESSÃO e outras ligadas a ela. E com certeza, a depressão começa pela tristeza. O cristão nasceu para adorar a Deus e nenhuma alegria terrena se compara a alegria da adoração, ele não pode e não deve cair em depressão. A presença de Cristo na vida do crente não pode dar margem a uma tristeza prolongada. Como disse Thomas Watson: "Há tanta diferença entre as alegrias espirituais e as terrenas quanto entre um banquete saboreado e outro pintado na parede". Só em sermos gratos a Deus pelo dom da vida já é algo que nos transporta de um estado emocional para outro, mas há uma sequência de orientações que gostaria de compartilhar hoje, espero que te ajude de algum modo a refletir e tornar sua vida mais leve:

1. Não exija de você o que não tem condição de carregar. -- Nem exija dos outros também, assim como faziam os Fariseus recriminados por Jesus: Pois atam fardos pesados e difíceis de suportar, e os põem aos ombros dos homens; eles, porém, nem com seu dedo querem movê-los. Mateus 23:4

Até quando você vai cobrar dos outros o que Deus te deu? Tenha paciência, faça sua parte!

2. Ame a Deus e ao teu próximo como a ti mesmo. E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Mateus 22:37

Quem é teu próximo?

3. Procure fazer algo baseado em sua vocação. - Cada um fique na vocação em que foi chamado. 1 Coríntios 7:20

Você já sabe seu talento, seu dom, sua vocação? Se não sabe descubra e viva nela!

4. Reconheça a Soberania de Deus na providência. - Grande é o nosso Senhor, e de grande poder; o seu entendimento é infinito. Salmos 147:5

Deus cuida até de coisas insignificantes, quanto mais de você que é imagem dele!

5. Não guarde pecado, confesse-o e se arrependa. Não fique ruminando erros do passado. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça. 1 João 1:9

Não desanime porque já caiu mil vezes, levante-se e confesse seus pecados e prossiga para o alvo!

6. Não seja egoísta. - Porventura não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres abandonados; e, quando vires o nu, o cubras, e não te escondas da tua carne? Isaías 58:7

Não pense que o mundo gira ao seu redor, destrone seu maior inimigo, você!

7. Procure ajudar o próximo. Não faça acepção de pessoas. - O amor não faz mal ao próximo. Rm 13.10

Já ajudou alguém hoje?

8. Perdoe quem te fez mal. - E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores; Mateus 6:12

Não é fácil perdoar! Mas quem disse que era fácil?

9. Seja grato. - Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco. 1 Tessalonicenses 5:18

Saiba dizer obrigado, sempre! Já agradeceu hoje?

10. Faça tudo para a glória de Deus. - Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém. Romanos 11:36

Se você não fizer algo para Deus, fará para quem?

O Perigo de Tornar-se Fatigado na Batalha


O Perigo de Tornar-se Fatigado na Batalha

Maurice Roberts


Não há entre nós falta de evidências de que os bons crentes estão sofrendo de algum tipo de fadiga espiritual. Em nossa comunhão cristã, raramente o ferro afia o ferro. Muito da pregação ortodoxa carece daquele tom de convicção necessário para incuti-la nas consciências dos pecadores. Uma mansidão culposa abafa o nosso zelo. As orações dos crentes são previsíveis e monótonas. O fogo apostólico perdeu a vitalidade e parece estar se apagando. O evangelho, mesmo onde ele é realmente pregado, está vestido com as ameaçadoras roupas da polidez excessiva e da respeitabilidade. Freqüentemente, nossos sermões não passam de uma homilia gentil ou uma conversa tranqüila a respeito de bons conceitos religiosos. Lenta e imperceptivelmente, os evangélicos estão se conformando, em suas emoções e em seu intelecto, com o espírito desta época. Embora não devêssemos nos importar com o falar desta maneira, traímos nosso desespero íntimo de ver um avivamento ou mesmo uma reversão da tendência presente em direção ao declínio.

Esta fadiga de alma não é difícil de ser explicada. Um profundo desapontamento tem paralisado muitos crentes em nossos dias. Muitos dos ouvintes e dos pregadores estão desanimados. A recuperação, em alguns anos atrás, das doutrinas da ortodoxia genuína, ainda não foi conjugada com uma restauração do poder espiritual ou da influência na sociedade. O mundo ignora muitas igrejas excelentes, fazendo-o com tanto desinteresse, em nossos dias, como o fazia quando o liberalismo teológico reinava entre elas e antes que um novo ministério fundamentado nas Escrituras tivesse começado nelas. Pregadores que deveriam ser ouvidos por multidões têm se contentado com menos do que cinqüenta ouvintes. 

A visão que alguns tinham há apenas alguns anos atrás não foi compreendida. A miragem não se tornou um poço de águas. As promessas de Deus estão aparentemente em divergência com suas providências. Um desnorteamento e uma confusão vieram sobre nós. Existe um sentimento universal de que algo está errado. Enquanto isso, nós estamos envelhecendo. Existe uma indescritível concordância de que a luta está muito árdua para nós. Quando seremos capazes de nos retirarmos do cenário de batalha com, pelo menos, alguma aparência de honra?

A sonolência espiritual é muito sedutora. A atmosfera logo fica impregnada com ela. A vida de atividade e de realizações, antigamente tão notável, pouco a pouco definha, à medida que um crente após outro sucumbe ao espírito de sonolência. Assim como as criancinhas, uma após outra, cessam a sua voz em um berçário, na hora de descanso, assim também o testemunho ativo do povo de Deus se torna gradualmente silencioso em um tempo de sonolência.

A Bíblia retrata para nós tempos em que o povo de Deus atravessa um período de sonolência coletiva. A época em que Moisés nasceu foi um desses períodos. Israel havia se estabelecido no Egito. Nem mesmo a escravidão árdua retirou-lhes o amor pelo estilo de vida do Egito. Os israelitas se mostraram muito relutantes em seguir Moisés para o deserto. Eles haviam alimentado muitos sonhos mundanos e não queriam abandonar os alhos e as cebolas, em troca da perspectiva incerta de receberem a sua “Terra Prometida”. Quatrocentos anos de silêncio haviam deixado Israel muito sonolento.

Os dias dos Juízes foram outro período em que o povo de Deus ficou em ampla sonolência. Ficamos admira- dos quando lemos o Antigo Testamento e percebemos quão flagrantemente Israel desobedeceu a Palavra de Deus na época dos Juízes. Os israelitas pareciam estar cegos para os claríssimos ensinos que haviam sido entregues, em tempos bem recentes, por Moisés. Até alguns dos próprios juízes tiveram erros sérios em sua fé e em seu comportamento. “Cada um fazia o que achava mais reto.” Se exigirmos uma explicação para o estilo de vida praticado naquela época, certamente a encontraremos na ampla e quase universal sonolência espiritual.

Poderíamos ter esperado algo melhor do povo de Deus na época do Novo Testamento. Mas isto não aconteceu. Por muitos séculos, até que Lutero se levantou na Alemanha, a igreja da Europa dormia profundamente, enquanto a Bíblia, o evangelho e a graça de Deus permaneciam ocultos aos olhos do povo. Apenas em um ou outro lugar, havia um clamor de advertência proveniente de um remoto pregador italiano chamado Lollardo. Mas, em sua totalidade, a Europa dormia. Noite de trevas cobria o único continente da humanidade que deveria ter levado a tocha da verdade evangélica a todas as partes do mundo.

É importante recordar as palavras de Jesus que nos mostram, com clareza, que o último grande período da História da humanidade será novamente caracterizado por ampla sonolência espiritual — “Foram todas tomadas de sono e adormeceram” (Mt 25.5). Não somente a igreja nominal, representada pelas cinco virgens néscias, estará dormindo, quando o Noivo retornar, mas também a verdadeira igreja, embora esteja preparada, certamente estará mergulhada em cansaço e sonolência, um pouco antes que chegue o dia das bodas. 

Estas ocorrências (que não são as únicas que podemos citar) são evidências suficientes para nos recordar que uma onda de sonolência pode cair sobre grandes partes da igreja visível, em determinadas épocas. Este é um fato absoluto da História, um fato que a Palavra de Deus nos apresenta tendo em vista a nossa advertência. Sem dúvida, existem muitos que dormem nas melhores épocas do evangelho ou mesmo sob a mais ardente pregação. Sem dúvida, a sociedade, em qualquer época, tem permanecido pouco acordada para os deveres morais e espirituais da Palavra de Deus. Entre- tanto, parece evidente a lição das Escrituras ensinando-nos que algumas épocas são caracterizadas por um sono quase universal.

O sono é um fenômeno admirável; é um tipo de morte com animação. No sono, estamos mortos para o mundo real. O ladrão pode estar às nossas portas, ou o fogo pode estar começando a queimar as cortinas do nosso quarto. Mas, quando estamos adormecidos, não observamos, não sabemos, nem nos preocupamos com o que está acontecendo. Por outro lado, nos sonhos nos preocupamos com aquilo que é irreal e ilusório. Os homens fogem de animais selvagens, pulam de penhascos e navegam à procura de ilhas do tesouro. Nossa atenção é tomada por aquilo que é fictício e imaginário.

Isto também acontece com o sono que sobrevêm às almas dos homens, em épocas quando o evangelho não tem vigor. Exércitos de heresias ameaçam a igreja e o povo de Deus; mas os sentinelas da igreja caem em sonolência tão rapidamente, que nem compreendem, nem se importam com tais exércitos. Quando, em algum lugar, uma voz fiel se levanta para advertir, existe um clamor geral e uma exigência de que o silêncio seja mantido. Ou pode acontecer algum abuso escandaloso que ameaça manchar a reputação e a credibilidade da igreja. Quando, porém, o sono coloca no descanso as faculdades da alma, os homens se ressentem de questões impopulares e procuram abafar o saudável espírito de investigação. Nada é tão desagradável para um homem sonolento quanto o alarme que o convoca a sair de sua cama.

Quando a sonolência de alma se espalha por todos os lados, todos os homens contentam-se com sonhos infantis e trivialidades vazias. Eles fazem muito barulho e algazarra a respeito de questões de procedimentos e de ordem correta. Mas, eles podem menosprezar as grandes questões da justiça, da misericórdia e da verdade com tanta facilidade quanto os fariseus que coavam “um mosquito” e engoliam “um camelo” (Mt 23.24). O clamor de todos — ou de quase todos — é: “Mais sono”; e ai daquele que tenta despertá-los!

Ninguém que esteja apenas meio acordado precisa de explicações que lhe esclareçam o estado de nossa sociedade moderna. O verdadeiro cristianismo está banido das salas de aula e dos meios de comunicação. O extermínio de crianças abortadas prossegue como um holocausto diário. As autoridades se reúnem para legalizar a quebra do dia de descanso e para legalizar a sodomia. A lepra está irrompendo em todos os membros do corpo político, e não há médico capaz de curá-la. Raramente surge, nas classes elevadas, uma voz que chame os homens ao arrependimento. Esse tipo de voz, quando aparece, não é ouvida, e as pessoas não lhe tributam qualquer atenção. Pobres nações! Infelizmente, uma civilização tão grande quanto a nossa pode se aprofundar tanto em sua sonolência espiritual!

Não é surpreendente que, em nossa época, os verdadeiros crentes sentem-se entorpecidos pela fadiga da batalha. Também não será um grande milagre, se eles, sendo apanhados pelo espírito geral de dormência, forem tentados a se entregarem irresistivelmente ao cochilo, nesta época. Mas isto é exatamente o que temos de nos recusar a fazer, custe o que custar.

De uma maneira ou de outra, os crentes têm de conseguir manterem-se acordados e de pé, nestes dias. Se, para fazer isso, tivéssemos de jogar fora a televisão ou cortar nosso braço direito, seria preferível agirmos assim. Cair no sono, nesta hora, é uma traição para com Cristo e as nossas almas; significa perder nosso “completo galardão” (2 Jo 8) ou, pior ainda, perder nossa recompensa e nossa alma.

O caminho para evitarmos o sono, quando o gás venenoso enche a sala, é correr para o ar fresco e respirar profundamente. Para com Deus e para com a salvação de nossa alma, temos o dever de correr em busca de oxigênio para a alma, na crise presente. O que pode impedir todos nós de uma radical reavaliação de nosso estilo de vida atual?

Ao invés de nos reunirmos simplesmente com objetivos sociais, não poderíamos, como crentes, nos reunir para lermos bons livros uns para os outros. O tempo que regularmente dedicamos a ouvir e assistir tranqüilamente a televisão, não poderíamos dedicar, pelo menos uma parte dele, à oração secreta, ou familiar, ou coletiva? As horas que temos desperdiçado em criticar cruelmente o pregador, poderiam, no futuro, ser melhor utilizadas no estudo diligente de livros que edificam nossa alma. Uma parte das energias que antes gastamos em recreação e sociabilidade excessivas poderia ser gasta mais produtivamente em visitar viúvas em suas aflições (Tg 1.27) e em consolar os abatidos.

Acima de tudo, os pregadores têm de clamar por graça para permanecerem acordados nesta hora. Devem mergulhar suas cabeças nas águas frias da Palavra de Deus, até que seus sonhos de comodidade mundana sejam lançados fora. O mundo nunca precisou tanto de um ministério de despertamento como agora. Nunca houve uma hora tão crucial para galgarmos as alturas e tocarmos altissonante a trombeta do evangelho. Todo o céu está atento, enquanto nos esforçamos para ficar acordados, quando todos os outros dormem. Será lançado como nosso crédito eterno, se nos mantivermos em nosso posto. Mais breve do que pensamos, talvez aconteça a aurora de um dia novo e melhor. O servo vigilante um dia se assentará em honra à mesa de seu Senhor (Lc 12.37).




Fonte: Editora Fiel

26.5.14

[Nota pública] Porque saímos da página Calvino da Depressão e páginas associadas

Carta aberta de dois ex-editores, Fernando Frezza e Raniere Menezes (por ordem de saída e motivos):


1. Fernando Frezza -- autor da página Barrabás Livre.

No início de 2012 comecei a contribuir em uma página chamada "Calvino da Depressão". Eu a conheci através de uma amiga, e tempos depois fui convidado pelo criador dela para ajudar com imagens e textos. A proposta era de uma página de humor, mas que serviria de veículo para mostrarmos a teologia reformada para as pessoas e também ensinar algumas coisas sobre a história da Igreja.

Contribuí bastante, com muito conteúdo, e a página cresceu muito a ponto de criarmos mais 2 páginas e um site, que são "Lutero da Depressão", "Zwínglio da Depressão" e "Os Pedreiros". Houve então a entrada de mais editores, e a ideia era que em cada página houvesse ênfase nos ensinos de cada reformador, enquanto que no site estariam reunidas informações sobre todos. No site haveria mais estudos e informações sérias enquanto nas páginas seriam postagens mais voltadas para o humor e com conteúdo mais resumido. Conseguimos fazer isso com sucesso e muitas pessoas nos disseram que foram ajudadas pelo que encontraram nas páginas, inclusive mudando drasticamente suas antigas ideologias e teologias deturpadas.

Entre os editores havia unanimidade em alguns temas, mas não em outros, e alguns comportamentos de uns às vezes eram condenados por outros, mesmo que de forma respeitosa. As maiores diferenças surgiam quanto a interpretações sobre a aplicação do evangelho na vida em sociedade, o que envolve visões políticas e a análise do papel do Estado e da Igreja no mundo. Além disso existiam diferenças quanto à postura cotidiana dos editores, ocorrendo inclusive que, em alguns momentos haviam ataques a ideologias defendidas por alguns deles feitos por esse editor que foi o criador da página. Mesmo dizendo nunca generalizar (o principal editor, criador da página) em muitos momentos disparou calúnias contra irmãos em Cristo, e em alguns momentos os julgou como não-cristãos, apesar de sempre se colocar em posição de vítima de intolerância. Com isso havia certo distanciamento entre os editores, pois além de haver ataques ao que criam, havia "assassinato de reputações" de amigos comuns a todos. Então o combinado era não postarmos nas páginas sobre o que não era unânime entre nós, mas isso não deu certo, havendo continuação de algumas postagens em que isso foi ignorado.

Para piorar, esse editor tinha (e tem) afinidade com o criador da "bíblia freestyle" (ao que me parece até contribuindo com conteúdo pra ela), inclusive tendo se envolvido em conversas chulas, reprováveis e públicas com ele no Twitter, na qual brincavam dizendo que a empresa pornográfica "Brasileirinhas" poderia fazer um filme baseado no livro de Cantares. Depois que essa conversa foi divulgada por uma outra página nos mesmos moldes do Calvino da Depressão, esse editor passou a fazer propaganda negativa dela ao extremo (chamando os de “nazistas” e termos similares), e usando a justificativa de que estavam apenas brincando (ignorando totalmente a ideia de reverência à Palavra de Deus e do mau testemunho ao fazer isso publicamente).

Um dia antes desse ocorrido (que eu nem imaginava), e cerca de 1 ano depois da minha entrada, eu havia informado que não iria mais contribuir, deixando as páginas por falta de tempo e com o desejo de cuidar unicamente da minha página "Barrabás Livre". Incluo também o fato de ter repensado a forma como o humor era feito, e apesar de não condenar esse ponto totalmente senti que pessoalmente não faria mais daquela forma (às vezes exagerada), sendo que no “Barrabás” decidi sempre incluir explicações detalhadas para cada brincadeira feita, visando instruir e não apenas brincar e talvez passar a ideia de zombaria..

Posteriormente passei a ajudar em algumas outras páginas: "TULIP", "Reformata", "Troféu Reforma", mas priorizando sempre o "Barrabás", e mesmo sendo convidado a ajudar em outras me recusei. Não cortei contato com esse editor apesar de nunca nos falarmos, até que ele me bloqueou sem explicação aparente.

Sobre as páginas, creio que entre erros e acertos pude contribuir para instruir algumas pessoas. Preciso deixar claro que não tenho qualquer vínculo com elas e que não sei qual rumo tomarão, mas peço a Deus que impeça que o conteúdo divulgado seja blasfemo ou contrário à Sua Palavra. O correto seria que páginas que carregam nomes de reformadores contivessem em si aquilo que tais reformadores defenderam, mas é comum se ver por exemplo a página do Calvino divulgando a doutrina luterana, inclusive temas que Calvino não concordaria. Isso não faz sentido.

Não sei quem forma a equipe atual e, portanto, nem seria possível se fazer um julgamento quanto a todos possíveis envolvidos, mas que acima de tudo essas páginas não sirvam para escárnio e o distanciamento do evangelho verdadeiro.

2. Raniere Menezes -- autor da página Frases Protestantes.

Fui um dos editores do Calvino da Depressão e Zwínglio da Depressão desde agosto de 2012 e minha decisão de sair é motivada por restrições que, de um tempo para cá, tenho da página Calvino da Depressão. Nosso objetivo primário como editores era despertar interesse e curiosidade no público alvo para conhecer as antigas doutrinas da graça. E de modo bem humorado cumprimos esse papel por muitos meses. Muita gente nunca tinha ouvido falar em Calvino, Institutas, fé reformada, monergismo, sinergismo, arminianismo, confissão de fé etc. -- E com certeza tem muita gente por aí se aprofundando mais em teologia por causa desse primeiro contato. Centenas de pessoas tiveram seu primeiro contato com as doutrinas reformadas através dessa páginas.

Internamente, nos bastidores da edição do Calvino da Depressão, especificamente, tínhamos pontos de vistas diferentes sobre aspectos doutrinários da fé cristã protestante histórica, mas nada que causasse um desconforto a ponto de não andarmos mais juntos. O que infelizmente aconteceu e deixei as páginas esta semana. Combinamos que não iríamos usar as páginas para tratar de temas polêmicos que não permitissem caminharmos juntos, mas de nada valeu. Sempre que tínhamos uma reunião era para ajustar as diferenças.

As contradições de um dos editores (o iniciador da página, Thiago Surian) começou a incomodar em vários momentos, basicamente temas polêmicos contra a prática do cristão de seguir a Lei de Deus em seus princípios, comentários e provocações desnecessárias nas páginas, e fora delas, em outros sítios, muita divulgação luterana numa página de nome "Calvino" (o que foge do propósito de uma página coletiva e calvinista) e por último, o caso mais recente, o seu apoio aberto a chamada bíblia Freestyle, uma paródia cheia de aberrações e irreverência para com a Palavra de Deus. Essas coisas se posicionam contra os nossos pontos de vistas mais conservadores da Fé Reformada. É uma prática lamentável apoiar a paródia Freestyle.

Fiquei desmotivado a continuar por várias vezes, sempre permanecendo por causa da quantidade de pessoas que se aproximaram da Fé Reformada através das páginas. Mas minha cota de paciência acabou e resolvi abandonar, mas não sem explicar. Para que fique bem claro que a página Calvino da Depressão, e outras associadas que foram citadas pelo Fernando Frezza, não terão mais nossa contribuição, e que não nos responsabilizamos por novas publicações que ataquem a reverência as Escrituras Sagradas (como essa paródia Freestyle) e também a Lei de Deus. É uma grande incoerência uma página de nome "Calvino" ser contra a perpetuidade da Lei de Deus.

De uma semana para cá, aproximadamente no mesmo tempo de minha saída, a página demonstra que rumo irá tomar, talvez um liberalismo mais aberto será a tônica da página, que nasceu com uma proposta calvinista, mas tem se distanciado cada vez mais. Não recomendo esta página a ninguém!

Faço votos que a página cumpra seus antigos propósitos, o que acho difícil que aconteça.


O problema da “bíblia freestyle”:


Para entender melhor o porquê condenamos essa paródia, seguem links detalhados:


·         Sobre a "bíblia Freestyle"

Bíblia Freestyle, uma PARÁFRASE ou uma PARÓDIA?

20.5.14

Bíblia Freestyle, uma PARÁFRASE ou uma PARÓDIA?


Devo concordar com as Escrituras canônicas sem desacordo.
Agostinho

O cão late quando seu dono é atacado.
Eu seria um covarde se visse a verdade divina ser atacada
e continuasse em silêncio, sem dizer nada.

João Calvino

JOÃO 1 - BÍBLIA FREESTYLE
O mundo foi criado por Deus, o Ungido já existia e estava lá, e não, ele não era uma ameba. O Ungido é Deus e estava com ele, apesar de não haver foursquare para sinalizar ele estava lá. Ele criou o mundo juntamente com o Pai. Foi ele que levantou tijolo por tijolo, e a obra que ele fez foi melhor do que o que se vê por aí no minha casa minha dívida. Na criação havia trevas, igualzinho os apagões do FHC e da Dilma e pela sua voz tudo foi criado, inclusive a luz que ilumina a vida de todo mundo. Não há escuridão que consiga apagar esta. Pena que Ele não tirou uma foto no Instagram. Ia calar a boca de muito neguinho incrédulo.

Você sabe a diferença entre paráfrase e  paródia?:

A  paráfrase reafirma ideia de um texto  e não o deturpa. Ela serve para explicar, e não para confundir, deve esclarecer o texto citado, e tem como objetivo maior MANTER O SENTIDO DO TEXTO. A paráfrase é um tipo de texto que exige certo domínio léxico ou vocabular. Parafrasear significa  reescrever;  mantendo o sentido original, para isso usam-se sinônimos e não o significado oposto ou estranho ao texto.  A paráfrase é  um texto que conserva  as ideias originais.

A paródia é a  imitação cômica de uma composição literária. Trata-se da recriação de um texto, geralmente um clássico;  conhecido, reescrito em caráter contestador, irônico, zombeteiro, crítico, satírico e humorístico. É uma imitação caricata. Assim,  a Bíblia Freestyle é uma paródia blasfema e é  uma farsa, pois ridiculariza a Palavra de Deus. Não se pode alterar o significado das melhores versões sem incorrer  na categoria de paródia.

Além de constituir  uma paródia, ela é um comentário malicioso. Ora, sendo Cristo a própria verdade, teria Ele algo com um texto que ridiculariza sua Palavra e a verdade? A Bíblia Freestyle é uma interpretação despreocupada e superficial. O texto acima (no quadro) insulta a divindade de Cristo e nem precisa conter palavrões. Onde está o respeito devido ao Senhor?

Não se trata apenas de uma brincadeira inocente e inofensiva;  não é um joguinho de palavras! Estamos lidando com as  Escrituras SAGRADAS, que não foram  produzidas pela vontade humana, e sim inspiradas pelo Espírito SANTO. Não se pode aceitar que alguém brinque de modo irresponsável com as Escrituras Sagradas!

O autor diz que não a lê na igreja, que ela serve apenas para um tipo de iniciação evangelística, o alvo são pessoas marginalizadas que possuem um vocabulário baixo e cheio de gírias. Que não foi feita para crentes (ainda segundo o autor). É quase uma necessidade cultural! Mas que tipo de evangelismo começa com mentiras? Ora, o Espírito Santo opera na Palavra de Deus e por meio da Palavra (a verdade). Como manter um primeiro contato com outra pessoa usando textos altamente corrompidos? O argumento usado afirma  que pessoas que não entendiam a Bíblia acabam entendendo. Ladrões, homicidas, homossexuais, prostitutas e gente de "má-fama" e marginalizadas sempre existiram na história da igreja. No entanto, ao longo de toda a história da igreja, nunca houve algo tão blasfemo. É um ultraje dirigido a algo extremamente respeitável.

Quem causa dano à Palavra de Deus não merece honra, mas repreensão e que seja chamado de mentiroso! O autor da Bíblia Freestyle caminha na mentira. A decadência da linguagem sobre algo tão sublime e rico como é a Escritura é um ato maligno, de alguém que serve a demônios e não a Deus! Eis o aspecto  agravante:  o autor se intitula protestante de linha reformada;  esses textos não partiram de uma sátira de alguém que se denomina liberal ou ateu, mas de alguém que se diz reformado.  Lamentável! Enquanto a Reforma Protestante afirmou a ferro e fogo o Sola Scriptura.

O legado confessional  da Reforma Protestante diz que Deus, para preservar  e propagar a verdade da melhor forma possível, e contra a corrupção da carne e malícia de Satanás e do mundo, nos deu a Escritura Sagrada. Toda Escritura foi dada por inspiração divina para consistir em nossa  regra de fé e prática. Corrupções da Palavra não devem ser empregadas para nada! Deus, o autor da Palavra, é a própria verdade, e a Palavra de Deus deve ser proclamada e recebida como ela é: Palavra de Deus.

Ao longo de muitas  gerações da história da igreja, a Bíblia sempre foi considerada, mesmo  por seus inimigos, um livro (no mínimo) de excelente conteúdo e de estilo majestoso, superando grandes escritores e poetas da humanidade. Muitas vezes ela causou  ira pelo poder de influenciar várias culturas. O objetivo maior das Escrituras é dar toda a glória a Deus. Como  a Bíblia Freestyle glorifica a Deus? Chamando o Senhor de toda honra e glória de "foderoso" e de outros termos chulos?

A Palavra de Deus traz em seu bojo a verdade infalível e divina autoridade aplicada internamente nos eleitos pelo Espírito Santo, que com a Palavra testifica em nosso coração. Nada se acrescentará a ela, nem por novas revelações do Espírito nem por tradições humanas. A prudência cristã, ao longo da história da igreja, não permite tamanha distorção da Palavra como a paródia chamada Bíblia Freestyle.

É importante deixar bem claro que a Freestyle não é um trabalho para trazer maior clareza literária; ela é um rebaixamento literário em forma de paródia. E como paródia inviabiliza a evangelização, serve apenas para zombaria e ridicularização do que temos de mais sagrado.

É uma herança da fé cristã que todos leiam e estudem as Escrituras no temor de Deus, e que a Bíblia seja traduzida nas línguas de todas as nações  aonde chegarem, a fim de que a Palavra de Deus seja proclamada ao máximo a fim de levar as pessoas à adoração a Deus de modo aceitável. No entanto, uma paródia é incapaz de realizar esse serviço santo.

O Juiz supremo de toda controvérsia religiosa e por quem serão examinadas todas as opiniões dos escritores e pontos de vista particulares é o Espírito Santo falando na Escritura. Quem distorce a Palavra de Deus desde o início é o inimigo. Deus é santíssimo, muito paciente, mas justíssimo e terrível em seus juízos, pois odeia o  pecado, e de modo algum terá por inocente o culpado.

Quem distorce a Palavra é mentiroso. Portanto o autor da Freestyle, além de ser contado entre os mentirosos também não tem temor ao Senhor. Deus é santíssimo em todos os seus conselhos, em todas as suas obras e em todos os seus preceitos, Ele exige dos homens e dos anjos culto, serviço e obediência, e isso será cobrado de todos. A Palavra de Deus é motivo de louvor, de reverência a Deus, não de escárnio. O temor reverente  não é encontrado na Freestyle. A verdadeira piedade não anda longe do temor de Deus.

A finalidade da Bíblia Freestyle não é justa e nem santa. A linguagem do mundanismo não enobrece a Deus; ao contrário, os mundanos se deliciam com a linguagem baixa para citar a Palavra de Deus, e estão entregues às suas paixões (nas ruas ou na igreja). Usar o nome de Deus em vão é um pecado óbvio. Quem não se aproxima da Palavra divina com reverência e temor é pior que o diabo e seus anjos, --  esses pelo menos tremem diante de Deus. A Palavra divina manifesta o caráter de Deus, não é algo qualquer. Não se trata de um protesto fundamentalista contra a Freestyle!

O problema se encontra no fato de  a Bíblia Freestyle pretender ser uma paráfrase (o que não é!). O uso de paráfrases,  como opiniões humanas é aceitável, mas o problema é que se trata de uma  PARÓDIA de baixíssimo  nível e que foge do sentido do texto sagrado, algo JAMAIS pretendido por nenhuma outra versão da Palavra divina. Colocar palavras na boca dos apóstolos e do próprio Jesus, palavras que eles jamais imaginariam pronunciar, é um trabalho diabólico! Talvez até haja boa intenção do autor, mas totalmente equivocada. Quando Deus dá entendimento a alguém para entender a Bíblia, a pessoa compreende que Deus fala em cada linha. A Bíblia é a voz daquele que está sentado no trono. Cada livro, cada capítulo, cada versículo é a voz do Deus santíssimo. Não é natural a alguém regenerado distorcer a Palavra.

Calvino disse que a mesma reverência que temos para com Deus também se deve à Escritura, porque ela procede dele. A Bíblia é Palavra do Espírito Santo, em toda a Bíblia se encontra a majestade divina. A Bíblia fala no tom de voz do próprio Deus. Ignorar as palavras de Cristo significa ignorá-lo. Não devemos alterar a Bíblia! Alterar no sentido de falsificar; adulterar. A Freestyle só contribui para desvirtuar, desmoralizar e zombar da Bíblia.


Raniere Menezes


O que pensam os antigos cristãos?

Poucos tremem diante da Palavra de Deus. Poucos, quando a leem, ouvem a voz cheia de majestade de Jeová. -- Robert Murray M'Cheyne

Submeter-se à Palavra de Deus é um ato de fé; qualquer questionamento ou tentativa de alterá-la é demonstração de incredulidade. -- J. I. Packer

Da mesma forma como Deus é a única pessoa santa, a Escritura é o único livro santo. -- William Gurnall

Ainda que eu tivesse a língua dos anjos, mesmo assim não poderia expressar a excelência da Bíblia. -- Thomas Watson

Somos incentivados a chegar a Deus livremente mas não petulantemente. -- J. Blanchard

Onde não há reverência, certamente está faltando a espécie mais elevada de amor. -- Peter Green

O espírito que perde a reverência por Deus volta-se naturalmente para o pecado. -- John Hercus

O aprendizado do cristão deve começar com o temor do Senhor. -- Thomas Cranmer

***

Quer saber mais sobre a Bíblia Freestyle?

-- Sobre a "bíblia Freestyle" -- Ageu Magalhães -- http://resistenciaprotestante.blogspot.com.br/2014/05/sobre-biblia-freestyle.html

-- Uma Abominação chamada Bíblia Freestyle -- Frank Brito -- http://resistireconstruir.wordpress.com/2013/03/14/uma-abominacao-chamada-biblia-free-style/


17.5.14

IGREJA EM FILADÉLFIA: Lealdade inabalável a Cristo


Conheço as tuas obras; eis que diante de ti pus uma porta aberta, e ninguém a pode fechar; tendo pouca força, guardaste a minha palavra, e não negaste o meu nome. Apocalipse 3:8

Estas santas palavras foram dirigidas a Igreja de Filadélfia.  Era uma cidade na província romana na Ásia, no oeste que hoje é a Turquia. E a Palavra diz: "Conheço as tua obras". Quais obras? Tendo pouca força guardou a Palavra e não negou o nome de Cristo. Filadélfia não era o que o mundo chamaria de Igreja importante e influente. Provavelmente as melhores famílias da cidade não eram membros. Nesse sentido ela era fraca, sem poder ou com um pequeno poder.

É como Paulo descreveu Coríntios em 1Co 1.26-27: Porque, vede, irmãos, a vossa vocação, que não são muitos os sábios segundo a carne, nem muitos os poderosos, nem muitos os nobres que são chamados. Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes.

As primeiras igrejas eram intensamente perseguidas e muitas vezes levadas aos magistrados civis e acusadas de não praticarem uma religião lícita, o cristianismo primitivo já foi uma religião sem licença, e Filadélfia era uma. Muitos eram obrigados e renunciar Cristo, mas a Igreja de Filadélfia se recusou a negar o nome do Senhor. Eles foram firmes e constantes como devemos ser hoje.

Qual a mensagem dessa Igreja para nós hoje?: Certamente que, aconteça o que acontecer não corrompa a Palavra e não negue a Cristo, nem com palavras nem atos nem omissão.



5.5.14

Buscas bizarras feitas no Google e a Doutrina do Pecado

clique na imagem para ampliar

Buscas bizarras feitas no Google e a Doutrina do Pecado

O cristianismo começa com a doutrina do pecado. Søren Kierkegaard 

Não pense que a teologia é coisa de estudiosos monásticos, a teologia na prática está bem pertinho de você, ou melhor, dentro de você, em cada ato e ação. O site Search Factory listou perguntas que milhares de pessoas fazem todos os dias no Google, e as mais bizarras são duas: 

Como esconder um cadáver? 1.000 buscas por mês;

Como não ser pego por assassinato? 1,8 mil buscas mensais.

A teologia cristã ortodoxa ensina que todas as pessoas são escravas do pecado, temos continuamente tendências para termos pensamentos maus, falamos coisas más também e praticamos maldade. Não significa que ninguém faça algo bom, até mesmo um assassino psicopata pode deixar de fazer o mal em certos momentos, por exemplo, ele pode não matar seu vizinho.

O profeta Isaías disse pelo Espírito Santo a seguinte verdade infalível, que nós somos como o imundo, e toda a nossa justiça não passa de um pano sujo. Isaías 64.6.

Afirmamos que existe a semente de todos os pecados - dos pecados mais vis e piores - no melhor dos homens, como disse Thomas Brooks. Ou como ressaltou Jonathan Edwards: Quando olho para meu coração e enxergo minha iniquidade, ele parece um abismo infinitamente mais profundo do que o próprio inferno.

A teologia reformada chama essa doutrina de Depravação Total, mas entenda que não é total em absoluta constância prática do mal, não quer dizer que o ser humano é perverso tanto quanto possível, pois Deus limita a maldade dos homens. Precisamos entender o que disse o apóstolo Paulo em Romanos 3.10,11: Não há justo, nem um sequer; não há quem entenda, não há quem busque a Deus.

Isto significa que somos todos pecadores e necessitamos da graça de Deus, sem a intervenção da graça de Deus seremos duros de coração e não teremos nenhuma diferença dos assassinos e ocultadores de cadáveres. Não fosse a graça e misericórdia sobre o povo eleito de Cristo, muitos de nós estaríamos com nossas mãos sujas de sangue e uma pá na mão ou no mínimo alimentando mentalmente o desejo de vingança.

O "simples" fato de odiar o nosso próximo nos torna homicida, palavras das Escrituras:

Aquele que diz que está na luz, e odeia a seu irmão, até agora está em trevas. 1 João 2:9

Qualquer que odeia a seu irmão é homicida. E vós sabeis que nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele. 1 João 3:15 

Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu? 1 João 4:20 

Mas aquele que odeia a seu irmão está em trevas, e anda em trevas, e não sabe para onde deva ir; porque as trevas lhe cegaram os olhos. 1 João 2:11

Só nos resta temor e gratidão por maravilhosa graça!

4.5.14

O ADESIVO EVANGÉLICO QUE NINGUÉM QUER USAR

Adesivo evangélico gospel

O ADESIVO QUE NINGUÉM QUER USAR

... Deus não ouve a pecadores; mas, se alguém é temente a Deus, e faz a sua vontade, a esse ouve. João 9:31

É fácil encontrar adesivos religiosos como: "Deus é fiel"; "Para Deus nada é impossível"; "Tudo posso naquele que me fortalece"; "100% Jesus"; "O segredo do meu sucesso é Jesus"; "Sorria, Jesus te ama"; "Oração é a chave da vitória" e tantos outros. Mas nunca vi: "Deus não ouve a pecadores; mas ouve quem faz a sua vontade e o teme".

Muitos que fazem uso de adesivos religiosos com tais conteúdos quase "comerciais", usam como uma espécie de talismã que "abençoa" o carro ou a casa. Isto não passa de mera superstição e também faz uso vazio do nome de Deus. Não existe moeda de troca com Deus, ou qualquer tipo de mérito que possa atrair benefícios divinos. Deus não é homem para que deva favores! Além do mais exige reverência por Sua Palavra.

Pode acontecer de alguma pessoa argumentar, "mas não uso com a intenção de barganhar ou coisa do tipo, faço por gratidão, porque quero divulgar a Palavra de Deus". Como já disseram: "O inferno está cheio de gente com boas intenções". Se quer realmente divulgar a Palavra que não haja acepção de Palavra. Por que normalmente se usa apenas frases de efeitos agradáveis, quando o verdadeiro Evangelho é escândalo? Por que só usar o critério dos versos de uma caixinha de promessa? -- Porventura a minha palavra não é como o fogo, diz o Senhor, e como um martelo que esmiúça a pedra? Jeremias 23:29

Não seja supersticioso e ignorante, mas antes fuja da idolatria gospel e busque conhecimento de valor para sua salvação.




15.4.14

Existiu uma Inquisição Protestante?


Por definição, NÃO. Por significado original da palavra, "Inquisição" é: "Um antigo tribunal eclesiástico instituído com o fim de investigar e punir crimes contra a fé católica romana; Santo Ofício". Pertence somente aos Católicos Romanos por acepção. Então, dizer que houve uma Inquisição Protestante é como dizer que o Protestantismo celebra missa e não culto. Mas, também não significa que não houve perseguição religiosa protestante contra outras religiões e crenças. HOUVE, e o protestante histórico deve reconhecer sua história, seguir os acertos e rejeitar os erros.

O principal desafio ao estudar o passado é considerar o contexto dos acontecimentos. O contexto é rei, queira ou não aceitá-lo. E não aceitá-lo é puro partidarismo cego, presunção ou ignorância. Não se pode julgar o passado distante à luz do presente.

Acima de tudo, o protestantismo não deve seguir nenhum homem ou um líder, e isso não significa que seguimos, acreditamos e apoiamos cada ato, cada ação, cada obra dos irmãos antigos. Não estamos sujeitos a nenhum homem, mas a Palavra de Deus. Além de afirmarmos isso temos que enfatizar que os antigos protestantes erraram em muitos aspectos. E acertaram em muitos, principalmente na produção de Confissões de Fé.

Toda Europa do século XVI e séculos posteriores era dividida por territórios político-religiosos, era impossível separar esses irmãos siameses, muitas vezes um monstro leviatânico. Religião e doutrinas eram questões de vida ou morte. Não havia neutralidade. E o Estado julgava casos de blasfêmias e heresias com pena capital.  Ser neutro era considerado traição. Ser herético (dentro de um contexto de jurisdição de uma nação) era um crime contra o estado civil, além de religioso. Então, quando falamos de perseguição religiosa pós-reforma é preciso considerar isso.

Diferentemente do que se pode imaginar, o governo civil punia de modo natural, seja do lado Católico ou do lado Protestante. A espada de metal andava junto com as doutrinas das religiões. Todos concordavam com a pena de morte para heresias e blasfêmias. Se um homem considerado herético dentro de um partido religioso, a depender da heresia (negar a Trindade, por exemplo), mesmo que fugisse para outra jurisdição sofreria o mesmo destino. Tantos os Protestantes, quanto os Católicos, eram parte de sistemas eclesiásticos e políticos sem neutralidade. E muitas vezes puniam pelas mesmas heresias.

Com certeza houve no contexto da Reforma do século XVI excessos e abusos nas reformas eclesiásticas, teológicas e sociais, que estavam todas interligadas. Antes de tudo, é importante para a expansão do Reino de Cristo sobre a terra que se admita erros históricos e não haja tentativa de escondê-los. O principal desafio é ter o discernimento correto que o Cristianismo deve seguir às Escrituras com maior fidelidade possível. Colocando a Palavra de Deus como Juiz supremo de todas as controvérsias religiosas, até a Sua volta gloriosa. O Protestantismo declara isso em suas confissões. Sem dúvida não adianta perder tempo com acusações e muitas vezes calúnias de ambas as partes, Católicos e Protestantes, contudo, precisamos buscar nas Escrituras viver, hoje, de um modo mais agradável a Deus, preservando a paz das igrejas locais em acordo com a nossa fé.

Também importante, buscar uma unidade possível dentro do protestantismo que lute, se necessário, pela paz e segurança das igrejas locais e pelo avanço do Reino de Cristo Jesus. Isto é válido para qualquer época e região. A visão correta deve proporcionar uma unidade mínima confessional que quebre o poder do inimigo, com equilíbrio, verdade e justiça. O Protestantismo nunca foi e nunca será alinhado com as "facções papistas", mas deve haver tolerância religiosa com prudência. Devemos afirmar que continuaremos sendo contra os cismas anárquicos dentro da Igreja, as heresias de antinomianos, papistas e outros.

Se o protestantismo hoje se encontra fraco e confuso, muito se deve a falta do ensino da história e doutrinas, ensinos confessionais. Se há uma verdade prática, plenamente confirmada pela história é que, toda verdadeira religião é baseada no conhecimento. E a base sólida do conhecimento está posta. Rejeitar a doutrina ortodoxa bíblica é mergulhar fundo na lama até que se desista de todo sistema ou refaça um caminho com os próprios passos e viva com suas próprias ideia, como muitos fazem.

O Protestantismo possui muitos erros históricos, mas poucos doutrinários. Ele possui 500 anos de caminho firme e bem estabelecido. 500 anos que não despreza a produção confessional ao longo de quinze séculos de história cristã. Devemos apenas transmitir para frente essa vereda antiga, e assim por diante, até o fim dos tempos. Qual o sistema mais bíblico? Qual sistema religioso glorifica mais a Deus? Qual visão está mais certa? Qual é a confissão de fé mais coerente?

O melhor caminho é agradecer a Deus e reconhecer que outros trabalharam  e que estamos apenas entrando em seu trabalho.





Raniere Menezes (Texto sem revisão)