E-BOOK GRATUITOREFORMA PROTESTANTE
Raniere Menezes
A Confissão de Fé de Westminster possui importância histórica, teológica e eclesiástica inegável. Ela nasceu de um esforço sério para sistematizar aquilo que seus autores entendiam ser o ensino das Escrituras e exerceu influência profunda sobre gerações de cristãos reformados. Seria desonesto negar seus méritos, assim como seria injusto ignorar suas contribuições para a formulação da doutrina cristã moderna.
Mas uma coisa é reconhecer a importância de uma confissão. Outra, completamente diferente, é conceder-lhe uma autoridade que pertence exclusivamente à Palavra de Deus.
É precisamente aqui que está a tese fundamental: Westminster deve permanecer como auxílio; não pode transformar-se em regra absoluta.
A própria Confissão fornece o princípio que permite essa conclusão. Ao declarar que sínodos e concílios podem errar e que não devem constituir regra de fé e prática, Westminster estabelece um limite para sua própria autoridade. Esse princípio não pode ser aplicado a todos os documentos, menos ao próprio documento que o formulou.
Esse é o verdadeiro sentido do chamado “botão de desligar”. Não significa abandonar toda a tradição, desprezar a história ou rejeitar tudo aquilo que Westminster ensina. Significa reconhecer que nenhuma assembleia humana recebeu o direito de encerrar a investigação bíblica.
É preciso resgatar além do Sacerdócio Universal de Todos os Crentes o Livre Exame. Dois conceitos que devem ser valorizados.
Cada cristão possui não apenas o direito, mas também a responsabilidade de examinar pessoalmente as doutrinas e ensinamentos à luz das Escrituras. Isso não significa que cada indivíduo seja uma autoridade infalível ou que a Igreja e a tradição não tenham importância.
O princípio deve ser Bereano. — Atos 17:11 — os bereanos são elogiados porque receberam a pregação de Paulo, mas “examinavam cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim”. — 1 Tessalonicenses 5:21 — “examinai tudo; retende o bem”. — 1 João 4:1 — “não creiais em todo espírito, mas provai os espíritos”. — Gálatas 1:8 — até mesmo uma mensagem associada a um anjo deve ser rejeitada se contrariar o evangelho recebido.
