16.2.23

Asbury: Avivamento ou Vigília prolongada? #asburyuniversity #asburyrevival2023

 


Asbury: Avivamento ou Vigília prolongada?

#asburyuniversity #asburyrevival2023


Dia 8 de fevereiro de 2023, alguns alunos da Universidade de Asbury, em Kentucky, frequentaram o serviço religioso da capela da universidade, algo rotineiro, às 10h30 da manhã, iniciaram uma reunião de oração e de repente não conseguiam encerrar as orações, louvores e adoração, e estão há dias em oração contínua. Obviamente, há um revezamento de horários e o prédio do auditório tem capacidade limitada de lotação. Geralmente as pessoas ficam duas horas e depois abrem vagas para outras pessoas entrarem, e as filas se formam do lado de fora.


A notícia correu velozmente pelo país e pelo mundo, muitas pessoas de várias regiões estão querendo testemunhar de perto este movimento de culto contínuo. As pessoas estão ali em adoração e de modo bem espontâneo, há muitos relatos de orações de arrependimento, lágrimas, reconciliação, perdão e adoração, e não poucos estão confessando sua fé pela primeira vez publicamente. Ainda é cedo para falar em avivamento ou reavivamento? Ou é apenas uma vigília cristã prolongada?


Breve histórico


Tenho acompanhado o movimento seguindo suas publicações online e de modo prudente compartilharei minhas primeiras impressões, para talvez responder se está acontecendo um avivamento (com base nos eventos da capela) analisando o contexto histórico dos avivamentos. Esta Universidade tem um histórico de um movimento religioso na mesma capela nos anos de 1970 e também nos mês de fevereiro, dia 03 de fevereiro de 1970, aconteceu um movimento que ficou registrado na história da Universidade como um reavivamento, algo que começou com uma reunião de oração e influenciou mais de 130 universidades cristãs, e por mais de 180 horas os cultos continuaram. 


Nos anos 70 não havia Internet nem redes sociais, a cobertura e divulgação do evento tinha uma proporção bem menor que hoje em dia. Portanto devemos aguardar o alastramento do evento potencializado pela Internet. E desde já extrair lições importantes sobre como estes fenômenos serão tratados com a velocidade das informações em tempo real por todo planeta. Será que este movimento será maior e mais impactante do que o anterior? É o que veremos e estamos acompanhando. Será a semente de um grande avivamento ou um movimento local atípico? É o que muitos estão se perguntando no momento. Diversas denominações cristãs, teólogos e cristãos em geral estão buscando mais informações do que está acontecendo e estão visitando o local. Esta visitação por si só irá certamente avolumar o movimento e teremos muitos testemunhos posteriores. A faculdade é metodista e sua história nos dá pista das suas raízes religiosas.


Primórdios das Universidades americanas


A faculdade foi fundada como Asbury College and Seminary, em 1890, pela Igreja Metodista Episcopal, que buscava formar líderes religiosos e promover a educação cristã na região de Kentucky. Seu nome é uma homenagem ao famoso pregador metodista Francis Asbury, que desempenhou um papel importante na expansão do metodismo nos Estados Unidos. Ou seja, seu fundador, sua história, está conectado com pessoas que viveram o chamado Segundo Grande Despertar, no final do século XIX e começo do século XX. O nome "Asbury" foi dado em homenagem a Francis Asbury, um importante pregador metodista do século XVIII que desempenhou um papel fundamental na fundação da Igreja Metodista Episcopal nos Estados Unidos.


Nos primeiros anos de fundação, a instituição oferecia cursos de teologia e artes liberais para jovens homens. Gradualmente, a faculdade expandiu-se para incluir mulheres e, posteriormente, passou a oferecer cursos em outras áreas do conhecimento, como educação, enfermagem e ciências sociais. O Asbury College enfrentou vários desafios ao longo de sua história, incluindo a Grande Depressão e a Segunda Guerra Mundial, mas manteve-se fiel à sua missão de fornecer uma educação cristã de qualidade. A faculdade também desempenhou um papel importante no movimento de avivamento cristão conhecido como o Segundo Grande Despertar, já citado.


Atualmente, a Asbury University, como é conhecida, é uma das principais instituições de ensino superior cristãs dos Estados Unidos, oferecendo uma ampla variedade de programas acadêmicos em diversas áreas do conhecimento. A universidade mantém-se fiel à sua herança metodista, fornecendo uma educação cristã sólida e uma comunidade de apoio para seus alunos. Aqui no Brasil temos uma instituição parecida, que pode nos servir de comparação institucional. A Universidade Presbiteriana Mackenzie é uma instituição de ensino superior privada localizada em São Paulo, Brasil. Fundada em 1870 por missionários presbiterianos dos Estados Unidos, sua história remonta aos primórdios da colonização americana no Brasil. Em 1865, a Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos decidiu enviar uma missão para o Brasil com o objetivo de estabelecer uma presença evangélica no país. 


O Rev. George Whitehill Chamberlain, acompanhado de sua esposa e de um grupo de missionários, desembarcou no Rio de Janeiro em 12 de agosto daquele ano. Em 15 de agosto de 1870, o Rev. Chamberlain fundou o Colégio Americano, que mais tarde se tornaria a Universidade Presbiteriana Mackenzie. O que tá acontecendo em Asbury, é como se fosse na capela do Mackenzie. Quem dera o movimento de Asbury se alastre como faísca e acenda algo no Brasil, que seja genuíno e de Deus. Asbury, pregador metodista, é um personagem histórico da Universidade que leva seu nome, como Chamberlain, presbiteriano, fora para o Mackenzie. Certamente esses irmãos do passado oraram por avivamentos e bênçãos vindas de suas primeiras sementes de suas obras, que seus trabalhos, no Senhor, não foram em vão.


Infelizmente, muitas dessas universidades se afastaram de sua missão inicial, e se tornaram semelhantes às seculares. As ideologias anticristãs ganharam espaço e muitos estudantes vivem apenas nominalmente como cristãos. Existem muitas universidades protestantes nos Estados Unidos, algumas das quais foram fundadas há mais de 200 anos. Aqui estão alguns exemplos notáveis: Harvard University: Fundada em 1636 em Cambridge, Massachusetts, Harvard é a universidade mais antiga dos Estados Unidos. Embora não tenha sido fundada como uma instituição cristã, os primeiros líderes da universidade eram puritanos que queriam formar líderes religiosos, Yale University, fundada em 1701 em New Haven, Connecticut, Yale foi criada por membros da Igreja Congregacionalista em Connecticut. Seus primeiros líderes, como Timothy Cutler e Jonathan Edwards, eram pregadores proeminentes e defensores da fé cristã. Princeton University: Fundada em 1746 em Princeton, Nova Jersey, a universidade foi estabelecida originalmente para treinar ministros presbiterianos. Seus fundadores incluíam líderes presbiterianos proeminentes como Jonathan Dickinson e Aaron Burr. Essas são apenas algumas das muitas universidades protestantes nos Estados Unidos. Muitas outras instituições cristãs foram fundadas por grupos como os luteranos, os episcopais e os metodistas, entre outros. A Asbury University é uma entre tantas com sua raíz bíblica. Muitas dessas faculdades foram influenciadas por avivamentos no passado, não podemos duvidar que Deus pode fazer de novo e de novo.


História dos avivamentos


Os avivamentos espirituais nos Estados Unidos têm uma longa história que remonta ao século XVIII. O primeiro grande avivamento ocorreu no início dos anos 1700 com o movimento do Grande Despertar liderado por pregadores como Jonathan Edwards e George Whitefield. Durante esse tempo, houve uma renovação do interesse pelo cristianismo e uma ênfase na conversão pessoal e na busca da santidade. Whitefield pregava para multidões e foi um incansável evangelista, sua principal mensagem era sobre a necessidade de nascer de novo. No século XIX, houve uma série de avivamentos, incluindo o Segundo Grande Despertar, liderado por pregadores como Charles Finney e Dwight L. Moody. Este período foi caracterizado por um grande entusiasmo religioso e um aumento no número de conversões. E também um momento de muita polêmica e discussões sobre avivamentos. No início do século XX, houve o Movimento de Santidade, que enfatizava a busca pela santidade pessoal e a santificação. Esse movimento deu origem a várias denominações cristãs, como a Igreja do Nazareno e a Igreja de Deus em Cristo.


Na década de 1940, houve o avivamento liderado por Billy Graham, que se tornou um dos pregadores mais influentes do século XX. Durante seu ministério, ele viajou por todo o mundo, pregando para grandes multidões e levando muitas pessoas a se converterem ao cristianismo. Desde então, tem havido vários outros avivamentos e movimentos espirituais nos Estados Unidos, incluindo o Movimento Carismático na década de 1960 e o Movimento da Igreja Emergente no início dos anos 2000. Todos esses avivamentos tiveram um impacto significativo na história religiosa e social dos Estados Unidos, moldando a cultura e a identidade do país. E por mais que a sociedade americana passe por transformações culturais, esta é a raiz, existe algo mais profundo em sua construção, um fundamento, uma âncora, a qual em tempos de grandes instabilidades pode-se voltar ao porto seguro.


Entendendo um pouco sobre avivamentos nos EUA


O Primeiro Grande Avivamento nos EUA foi um movimento de renovação religiosa que ocorreu durante as décadas de 1730 e 1740. O avivamento foi liderado por pregadores como Jonathan Edwards, George Whitefield e Gilbert Tennent, e teve um impacto significativo na vida religiosa, social e política da época. Edwards chegou a escrever sobre avivamentos genuínos e falsos, e ajudou a registrar para a igreja o que se deve esperar de um avivamento. Podendo ser um fenômeno complexo ao entendimento de muitas pessoas pelo fato de ser algo que mexe com emoções e comportamentos. É um momento difícil de separar o trigo do joio, pois as coisas acontecem de uma forma espontânea e tudo muito novo. Isto abre brecha para infiltração de inimigos e falsificações, muitas acusações e desconfianças surgem, e falsos profetas tentam tirar vantagens na movimentação intensa. Já temos relatos que alguns pastores hereges já foram visitar este movimento de Asbury. Esta é mais uma característica de um avivamento, sempre o inimigo quer confundir, mas a santa verdade prevalece e os frutos são prolongados. Algo que também chama a atenção neste movimento de Asbury é que não tem um líder avivalista, um pregador, um nome que predomine, mas é um movimento basicamente congregacional.


Durante os antigos avivamentos, pregadores viajavam por todo o país pregando em grandes reuniões ao ar livre, nas igrejas e salões de reunião. Suas mensagens enfatizavam a necessidade de uma conversão pessoal e a importância de uma vida piedosa e santificada. Os avivamentos também tiveram um impacto significativo na sociedade americana, levando a mudanças sociais e políticas, como a abolição da escravidão, a promoção da educação e a defesa dos direitos das mulheres. Ainda não sabemos quais efeitos podem gerar o movimento de Asbury.


Avivamentos genuínos e falsos


Todo avivamento gera desconfiança inicial e até ao longo do tempo. Os evangelistas, avivalistas do passado são criticados até hoje, em grande parte, por causa do apelo emocional que produziam e também pelo ensino, muitas vezes heréticos. É o caso da crítica que recai sobre Finney. Charles Finney foi um pregador e evangelista americano do século XIX, conhecido por seu papel no Segundo Grande Avivamento, um movimento de renovação religiosa que ocorreu nos Estados Unidos durante as décadas de 1820 e 1830. Finney foi um líder proeminente no movimento do avivamento, pregando em grandes reuniões ao ar livre, bem como em igrejas e salas de reuniões. Ele é conhecido por seu estilo de pregação direta e emocional, que apelava às emoções e ao livre-arbítrio das pessoas. Algumas das principais ideias que Finney pregava incluíam a crença de que a salvação era uma escolha consciente e voluntária, que as pessoas deveriam buscar a santidade em suas vidas diárias e que a religião deveria ser aplicada em todas as áreas da vida.


O avivamento liderado por Finney também foi caracterizado pela ênfase na oração, no estudo bíblico e no trabalho missionário. Além disso, o movimento do avivamento levou a mudanças sociais significativas, como a abolição da escravidão e a defesa dos direitos das mulheres. Apesar de seu impacto duradouro no cristianismo americano, as ideias e métodos de Finney também foram objeto de críticas e controvérsias ao longo do tempo, especialmente em relação à ênfase na emoção e na conversão instantânea. Finney é um caso importante para entender os avivamentos, pois ao mesmo tempo em que gerou influência social positiva, também foi criticado por usar apelo psicológico e arminianismo. E fato é que, este estilo embrionário de Finney é aperfeiçoado nos dias de hoje, através de ambientes pré-elaborados e muitos pregadores que são confundidos com coaches. Não é exatamente o caso em Asbury. Não há um Finney no púlpito. Isto é algo peculiar.


O intuito neste artigo não é criticar Finney ou outros, mas trazer comparativos que já tiveram o aval doutrinário na história da Igreja ou a rejeição e desconfiança. Nomes menos conhecidos, pelo menos em grande parte (outros nem tanto!), como John Alexander, Evan Roberts, Charles F. Parham, William J. Seymour, John G. Lake, Smith Wigglesworth, William Branham, Jack Coe e outros, atraiam multidões em todos os lugares que ministravam e também receberam muitas críticas e desconfianças, mas certamente seus nomes sempre serão lembrados pelas mensagens de salvação em Cristo, fé em seu poder para perdoar, para curar, proclamaram vidas santificadas. Neste aspecto de pietismo, Asbury tem em seu DNA o pietismo metodista, e certamente esta característica é presente neste movimento de oração e adoração que está acontecendo hoje.


Herança universitária protestante


Para finalizar esta parte histórica, é importante destacar o protestantismo desempenhou um papel significativo na história religiosa e cultural dos Estados Unidos desde a sua fundação. A história do protestantismo nos EUA remonta aos primeiros colonos protestantes britânicos estabeleceram comunidades religiosas na região de Nova Inglaterra. Durante o século XVIII, os protestantes se expandiram para outras regiões do país, como a região sul, onde o protestantismo batista e metodista se tornaram populares. Durante o Segundo Grande Despertar no início do século XIX, houve um aumento significativo no número de denominações protestantes, e o protestantismo se tornou uma força poderosa na vida religiosa e política dos Estados Unidos. Esta “alma” americana não pode ser apagada facilmente por ideologias anticristãs e secularismo. Durante o século XX, o protestantismo nos EUA se diversificou ainda mais, com o surgimento de denominações pentecostais, adventistas e outros movimentos evangélicos. As igrejas protestantes continuam a desempenhar um papel importante na vida religiosa, cultural e política dos Estados Unidos. 


A população jovem e universitária dos Estados Unidos é bastante expressiva. De acordo com dados do censo de 2020, a população dos EUA com idade entre 18 e 24 anos é de cerca de 31,4 milhões de pessoas, o que representa aproximadamente 9,4% da população total do país. Já em relação à população universitária, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística dos EUA, em 2020, havia cerca de 20,5 milhões de estudantes matriculados em instituições de ensino superior nos Estados Unidos. Esse número inclui estudantes de graduação e pós-graduação em faculdades e universidades de todo o país.


A população universitária dos EUA é diversa em termos de idade, gênero, raça e etnia, além de vir de diferentes origens socioeconômicas. Os Estados Unidos têm um sistema educacional altamente desenvolvido, com muitas das universidades e faculdades do país sendo reconhecidas mundialmente por sua excelência acadêmica e pesquisa. Esta população estudantil está mergulhada por um lado em suas tradições familiares religiosas, por outro lado inseridos em universidades de origem religiosa, ao mesmo tempo em que grande parte desses jovens rejeite suas origens e tradições religiosas. Embora, por mais que se tentem sufocar este peso histórico, como acontece na Europa, em momentos de instabilidades, crises, pós-pandemias e outros fatores que geram inseguranças, muitos desses jovens buscam se firmar em âncoras, em elementos mais estáveis e seguros de fé. Muitos desses jovens estão enfrentando problemas sociais significativos. 


Sociedade americana em crises sistêmicas


Alguns dos principais incluem problemas econômicos, saúde mental (depressão, a ansiedade e outros transtornos mentais afetam um número crescente de pessoas), educação, racismo, encarceramento, drogas, altas taxas de doenças crônicas, como diabetes e obesidade, que podem ser atribuídas a fatores como falta de acesso a alimentos saudáveis, falta de exercício e ambientes insalubres, a polarização política e ideológica, violência e criminalidade. Esses são apenas alguns dos muitos problemas sociais que os Estados Unidos enfrentam atualmente. As soluções para esses problemas são complexas e envolvem uma abordagem abrangente que aborda questões políticas, econômicas, ambientais e sociais. Esses são apenas alguns exemplos dos problemas culturais enfrentados pelos Estados Unidos atualmente. Cada um desses problemas é complexo e requer uma abordagem cuidadosa ao ser tratada. Certamente estes elementos geram necessidades espirituais.


Os conflitos ideológicos, a disseminação de teorias da conspiração, a contaminação das redes sociais, quando misturados à religião, gera cansaço e fadiga. Disseminação de informações falsas e teorias da conspiração sobre uma ampla variedade de tópicos, incluindo a pandemia de COVID-19, as eleições presidenciais de 2020 nos Estados Unidos e alegações de corrupção em vários governos, levaram muitos à exaustão. A disseminação de informações falsas e teorias da conspiração podem ter consequências graves para a sociedade, incluindo um aprofundamento da polarização política, a erosão da confiança nas instituições e o comprometimento da segurança pública. Neste cenário, muitos procuram locais que geram mais estabilidade e paz. A fé é um porto seguro. Muitos jovens americanos tem um ponto de retorno voltar à segurança da fé de seus país e da própria universidade. Podemos afirmar que é um avivamento? Ainda é cedo, mas muitas pessoas estão neste momento em Asbury orando, adorando em nome de Jesus, em reuniões ininterruptas e chegando mais gente, as filas aumentando, o movimento pode se espalhar para outros campos universitários e igrejas. 


Cristo, a Rocha em meio ao caos


Todo contexto social e político dos EUA levou muitos jovens ao cansaço e confusão, e muitos desses estão chorando na capela. As universidades em grande parte geram em seu convívio estudantil muitos vícios, perversidade, violência, pecados, e a capela em Asbury oferece o contrário disso, e ao que parece tudo está acontecendo sem arroubos emocionais, sem manipulações de luzes, fumaças, sem pregações finneyanas. E o que tem se espalhado em vídeos são atitudes que lembram uma vigília e lágrimas. A adoração a Jesus, que antes podia ser motivo de vergonha e medo numa universidade, se tornou uma ação de coragem, de amor, de confissão pública, de clamor ao Pai. Uma coisa é certa, o Espírito Santo se move de modo soberano e sopra onde quer. Deus nunca deixou de falar, mas muitos deixaram de ouvi-lo. Ele é digno de louvor e adoração. E isto está acontecendo em Asbury. Muitos jovens ali estão feridos, cansados, e Cristo é água pura e viva, refrigera a alma.


Este movimento pode ser fogo de palha e não ter frutos prolongados? Sim, mas é um erro acusar este movimento de falso. As redes sociais estão contaminadas de acusações precipitadas, e o pior, vindo de lideranças cristãs. Por isso fiz questão de apresentar o contexto americano, e ninguém pode criticar estes jovens de se reunir, orar, louvar o Senhor. Muitos ali estão em busca de um porto seguro num país que passou todo tipo de experiência negativa com uma pandemia, dores, lutos, muitos meses. Muitas pessoas que procuravam Jesus e o seguiam estavam cansadas.


Pode de Asbury surgir um avivamento americano ou mundial? Sim e não. Não existem fórmulas para gerar um avivamento, se vai durar 500 horas, dia e noite, não significa nada absolutamente perante a soberania do Espírito Santo. Independentemente da quantidade de incrédulos ou crentes, os avivamentos vem do céu para a terra e ninguém ordena nada a Deus. Ele pode usar esta universidade ou outro lugar qualquer, com duas, três pessoas, ou 12 ou milhares. Os relatos em Asbury estão começando a se espalhar, já há testemunhos de curas, de conversões e muitos apenas desejam Cristo. Somente Deus sabe os frutos que virão de Asbury.


Raniere Menezes

Frases Protestantes








13.2.23

Resistência paciente: A perspectiva correta da expansão do Evangelho



Resistência paciente: A perspectiva correta da expansão do Evangelho

Para quem pensa que a esperança de triunfo da Igreja na história é uma utopia irracional e ilusória, como um pensamento meramente positivo não conhece nada de pós-milenismo e luta com um espantalho (falácia do espantalho).

Primeiro distorcem um ensino e refutam o argumento distorcido. Mas o autentico pós milenismo pode ser explicado por várias perspectivas bíblicas e históricas que não apelam para falácias nem apelam à emoção. O apóstolo Paulo é o maior modelo missionário da história apostólica e a EXPANSÃO que ele realizou com muito trabalho em dez anos é EXTRAORDINÁRIA, ainda mais considerando a comunicação e transporte do primeiro século. Além de evangelizar todo mundo antigo, ainda influenciou poderosamente Agostinho, Lutero, Calvino e Aquino. Seu sucesso missionário sobre judeus, romanos, gregos e bárbaros, é incomparável. Paulo viveu intensamente tudo da fé cristã, tudo, inclusive o martírio.

Este modelo missionário demonstra o que Clemente de Roma (90DC) definiu como: “Resistência Paciente". Escreveu Clemente:

"Por causa de inveja e brigas, Paulo, pelo exemplo, mostrou a recompensa da resistência paciente. Após ele ter sido preso por sete vezes, ter sido exilado, apedrejado e ter pregado no ocidente e no oriente, ele recebeu o reconhecimento que era o prêmio da sua fé, tendo ensinado a retidão para o mundo inteiro e tendo chegado aos confins do ocidente. E quando ele já tinha dado seu testemunho perante os governantes, partiu deste mundo e foi para um lugar sagrado, tendo encontrado um notável padrão de resistência paciente.”  (I Clemente, Clemente de Roma).

O apóstolo Paulo é amplamente reconhecido como um dos mais influentes missionários da história do cristianismo. Ele viajou amplamente por vários lugares da Ásia Menor e da Grécia, pregando o evangelho e estabelecendo comunidades cristãs. Algumas das cidades onde ele realizou suas missões incluem Antioquia, Corinto, Éfeso, Filipos e Tessalônica.

Além disso, Paulo escreveu várias cartas a essas comunidades cristãs, que foram incluídas no Novo Testamento da Bíblia. Essas cartas são consideradas algumas das mais importantes fontes de ensinamentos cristãos e ajudaram a moldar a teologia cristã.

Em geral, o sucesso missionário de Paulo foi significativo e sua influência continua a ser sentida até hoje. Suas viagens e escritos ajudaram a espalhar o cristianismo para além do seu local de origem, na Judéia, e a estabelecer a fé como uma religião global.

Raniere Menezes


13.1.23

A Marca da Besta, Microchip implantado ou Biochip e Apocalipse 13


A Marca da Besta, Microchip implantado ou Biochip e Apocalipse 13


De tempos em tempos sempre surge um imbecil sensacionalista falando em implantação de chip da besta (para comprar, vender e realizar todas as atividades da vida monitorados pelo Estado, como se isso fosse exatamente o que está revelado em Apocalipse, porém isto nada mais é que interpretação futurista tribulacionista). O fato é que ninguém precisa de chip implantado para ser monitorado pelo Estado e empresas, todos nós já estamos monitorados por nossas pegadas digitais pelo Facebook, Google, WhatsApp, Tik Tok etc etc e também por bancos, seguradoras, governos, apps de GPS, de buscas, de compras, enfim, de toda navegação digital. Com consentimento ou sem consentimento você está rastreado 24h, todos os dias do ano até seu último pedido no ifood.


Por acaso, quando você paga sua pizza com cartão por aproximação você se lembra da besta? Com certeza, quanto mais governos tirânicos tiverem mais dados sobre as pessoas, isto é nocivo, e é um assunto sério que deve ser tratado como um problema ético social. Também é certo que rastros digitais podem ser usados para o bem (quem não acha bom quando uma plataforma indica para o usuário um produto ou serviço que realmente você tem interesse?). Há perigos por causa de tanto monitoramento, métricas e acessos? Sim, mas isso não significa que o risco maior seja usar um chip implantado por uma suposta besta apocalíptica. Na verdade nem precisa de chip implantado, as câmeras inteligentes e celulares já fazem o serviço. Sair de casa sem levar chaves, documentos e dinheiro no bolso é ruim?


Existe um perigo invisível real e imediato que é perder tempo com informações que não agregam valor, principalmente ao cristão, o qual recebe uma avalanche de dados inúteis que não servem ao Reino. Os seus likes e visualizações nas redes sociais sabem mais sobre você do que a pessoa que mais te conhece na sua vida! E olha que deixei de fora as suspeitas que nossas conversas são ouvidas sem permissão e estas informações podem ter valor comercial e empresas (teoricamente) podem vender informações para outras empresas. A inteligência artificial sabe o que você fez no verão passado. Ou seja, para que "biochip da besta implantado"? Seus dados já fazem parte de uma planilha gigante de algoritmos de banco de dados. Todos nós já temos créditos sociais controlados por empresas e governos. Portanto, pare de pânico e sensacionalismo por causa do bicho chifrudo, pois você é monitorado voluntariamente até quando vai ao banheiro, não é?


Se você quiser diminuir o monitoramento das redes terá que personalizar melhor sua visualização de dados e usar o mínimo que precisa. Fale menos com o Google e Alexa. Faça suas buscas com sabedoria. Não provoque a besta das Big Techs. Você sabia que é possível ir a academia e tomar um café sem postar fotos? Zuckerberg conhece você melhor que sua mãe, mas você não lembra dele no Natal. Às vezes estamos precisando mais de um jejum de dopamina do que ficar ouvindo tribulacionistas futuristas, para poder respirar um ar diferente, buscar novas motivações, algo que seja importante para sua vida e para o Reino de Deus. Mesmo que legisladores idiotas exijam que uma população implante um michochip para coletar dados econômicos, sociais, de saúde etc, isto não significa nenhum cumprimento de profecias apocalípticas, seja usado para o mal ou para o bem, não tem relação com nenhuma profecia. Elon Musk, Bill Gates, Zuckerberg, o “véi” da Havan, o “véi” da Amazon, todos tem uma escatologia em comum a ser realizada, são todos mortais como nós e usam o celular no banheiro, e bom ar.


O que se sabe pela história e pela Bíblia sobre a besta? Confira aqui: http://www.revistacrista.org/literatura_Nero_e_a_Besta.html#.Y8F7LXbMLcc


Raniere Menezes

Colaborador da Revista Cristã Última Chamada

Blog Frases Protestantes


14.10.22

PROFETA ISAÍAS PARA HOJE. Igreja brasileira, escute!



PROFETA ISAÍAS PARA HOJE

Igreja brasileira, escute!

No passado o Senhor enviou missionários do Hemisfério Norte para cá, e muitos missionários se multiplicaram para adentrar ao interior mais distante do país e Continente. 

A Palavra foi semeada de Leste a Oeste, de Norte a Sul. 

Deus fez crescer as igrejas no Brasil e ao crescerem se voltaram contra sua Palavra.

Até um cachorro ou gato conhece e ama seu dono, mas a Igreja brasileira não conhece nem ama o SENHOR. Ignora a misericórdia, graça e providência de Deus. Despreza seus cuidados.

A Igreja brasileira está em apostasia, amante dos privilégios, do poder, da bajulação, da idolatria. 

A Igreja brasileira virou as costas para a verdade, despreza o poder genuíno do Espírito Santo.

As pessoas não buscam cura de seus males espirituais e físicos. Os mais tradicionais agem como incrédulos perante o poder do Espírito Santo, os mais carismáticos agem como místicos sincréticos e ambos se afastam da simplicidade e do poder do Espírito Santo. 

E os que conhecem a verdade? Muitos a ignoram e silenciam. Não querem se envolver com problemas. Já criaram problemas demais para si, e não podem mais resolver problemas do Reino de Deus.

Quantos males já recaíram e recaem sobre a nação?

A igreja brasileira está insensível como uma pele de leproso em lençol de espinhos.

A igreja brasileira está agindo como zumbis, o país está sendo destruído por corrupção em todos os níveis e a igreja lava as mãos como Pilatos.

Os palácios de governos estão sendo administrados por muitos ladrões, os templos por muitos mercenários.

Pela graça do Senhor, ainda há servos que vivem e oram para que Deus não destrua uma nação tão rica.

Escuta, igreja! Você não era para viver acovardada numa terra abençoada!

A igreja não pode viver apenas de louvor, a igreja precisa reconhecer seus pecados e parar de fingir que está tudo bem.

A sensualidade se infiltra em todas as camadas, enquanto milhares de bebes são mortos no ventre materno e o solo brasileiro absorve o sangue de outras milhares de mortes violentas. A riqueza material do país está sendo drenada e falta uma porção de alimento para uma criança.

A igreja brasileira não pode apenas viver como espectadores de um show.

A filantropia da glória humana precisa acabar, o bem tem que ser feito para a glória de Deus. Muitos políticos exploram o povo mais pobre e ainda é bajulado como alguém que faz o bem. É a terrível inversão de chamar bem de mal e mal de bem.

Por vezes a igreja espelha a corrupção política, muito dinheiro gasto com prédios, com viagens, com diversões, com festas e parte da nação na miséria. O povo mais sofrido não tem a quem pedir socorro, e esta injustiça Deus cobrará de quem? 

Pela omissão da igreja os filhos do diabo prometem pão e circo, e com isso arrastam multidões para o matadouro. Pela cumplicidade da igreja os ímpios prosperam e exploram o povo mais pobre, mas de tanto normalizar a omissão e cumplicidade, a corrupção desenfreada pode fazer uma nação cair na miséria, como acontece em muitas partes do mundo. É uma realidade!

A igreja brasileira precisa olhar para suas próprias feridas e pedir cura ao Senhor.

Teremos um verdadeiro Brasil próspero e feliz quando a igreja cuidar da ferida real, o afastamento da verdade, da única verdade, da verdade do Senhor.

E se a igreja continuar anestesiada como a pele de um leproso, o fogo dos inimigos ganhará ventos de juízo e incendiará a rebeldia da nação.

A igreja necessita abandonar a carnalidade e mundanismo, precisa parar de agir como uma prostituta. A nação paga o preço da ação da igreja.

A omissão da igreja a torna cúmplice de toda corrupção e violência da nação, cúmplice dos assassinos, cúmplice da merenda desviada.

A igreja simples, missionária, de tempos atrás era linda como uma joia de prata, hoje parece um plástico amassado. O vinho das montanhas se transformou em líquido azedo de lixo.

Líderes religiosos ambiciosos, corruptos, gananciosos querem apenas favores dos poderosos e não se importam com os problemas reais da nação.

Se a igreja continuar leprosa, insensível, sem pedir cura ao Senhor, Deus irá cobrar, irá trazer juízo temporal sobre a igreja brasileira, seus líderes serão disciplinados pela poderosa mão do Senhor.

Deus cuida de sua igreja e não pode deixar que ela continue em festa de modo insensível.

A história é cíclica e a providencia é perfeita, Deus irá limpar a pele leprosa da igreja.

A carne morta será lançada no fogo. Só assim a igreja poderá viver avivamentos, reavivamentos, com um povo que teme ao Senhor.

A igreja poderá ser justa e bondosa com seus recursos, e não continuar como hoje, carnal, egoísta e mundana. A igreja hoje, em grande parte, quando pratica filantropia o faz por reconhecimento denominacional ou pessoal.

Não adianta dizer que o Brasil é para Cristo, e não viver em justiça e fidelidade.

Hoje não é uma questão de ter ou não ter festa em presídios ou igreja, por causa de alguma mudança política, a questão é que a igreja vive em sua essência pecaminosa igualmente como nos presídios. Em grande parte, a igreja é prisioneira de sua ambição denominacional ou pessoal. O status meramente religioso é lixo.

O sincretismo das igrejas não livrará do juízo temporal do Senhor.

Se a igreja brasileira continuar insensivelmente leprosa sem buscar curar suas feridas com o Senhor, seus templos confortáveis murcharão como uma figueira seca sem frutos.

Cristo promete vida em abundância como água viva que irriga grandes árvores, mas que o seu povo viva em justiça e fidelidade, e não em carnalidade, mundanismo e acomodação.

Os líderes religiosos mais brilhantes do que o ouro ficarão foscos e manchados como metal enferrujados.

Igreja brasileira deve se afastar de toda maldade, social, política, econômica ou doméstica.

Deus irá purificar sua igreja com fogo e nada pode deter sua mão.

O Brasil poderá ser um celeiro de missionários para o mundo e ser usado como mensageiros de avivamentos para todo mundo, desde que cure suas feridas leprosas religiosas. A igreja hoje vive como num condomínio de luxo com um muro ao lado que divide do mundo real com todos os seus problemas, ela não pode simplesmente despejar seu esgoto do outro lado do muro.

Muitos líderes religiosos hoje estão lambendo as feridas uns dos outros, mas não buscam a cura de fato junto ao Senhor.

A igreja do Hemisfério Norte já vive em apostasia há muito tempo e seus modismos mundanos continuam influenciando a igreja brasileira.

Os ídolos não são mais de gesso, madeira, prata ou ouro, mas de carne e ossos podres.

A igreja brasileira adora pessoas leprosas, dentro e fora da igreja, seja na religião, seja entre políticos.

Quando a igreja ora, "Senhor, sara a nossa terra!", ainda não entendeu, mas deve entender, que a oração correta seria: "Senhor, sara a lepra do nosso povo!". Sara a podridão política e religiosa que destroem nações.

Quando o Senhor purificar com fogo a pele podre, não haverá refúgio. Toda ilusão de orgulho cairá como em pedaços de trapos queimados. Tanto faz quem acredita como quem não acredita em juízo, o juízo quando vem, vem sobre todos.

Enquanto a igreja de hoje canta, de modo geral, que o Senhor é exaltado, na verdade está exaltando a glória humana.

Todo orgulho religioso deverá cair por terra! Glória somente a Deus!

Os incrédulos nunca entenderão isso! Mas o povo de Deus tem o dever de entender!

Tanto os que não creem, quanto os que creem, experimentarão o pó do chão.

Os que confiam em instituições e patrimônios serão quebrados.

Se a igreja não se arrepender de seu mundanismo será reduzida a zero para que haja renovação de solo, renovação de geração.

Não, não será o fim da história, será o fim de uma geração inútil.

Ou a igreja ainda não entendeu que Deus é destruidor de ídolos?

Os ídolos não salvarão a igreja debaixo do juízo temporal. Os ídolos de carne e osso são os primeiros a tentar correr.

Deus é Deus de juízo avassalador e juízo renovador.

Somos uma terra rica, mas com uma geração destruidora de pão e água.

Se a igreja não se arrepender do seu mundanismo o juízo temporal virá como uma renovação de poda, os verdadeiros pastores pagarão o preço juntamente com os falsos pastores; o servo dedicado e o mercenário estarão no mesmo solo, bons e maus.

Lembrem-se quantas vezes Deus devastou Israel! Deus nos livre da terra arrasada, mas este será o resultado da injustiça e infidelidade.

Deus não é injusto nem impaciente, sua paciência é enorme e antes de trazer juízo e correção, envia exortações.

A igreja deve exortar governantes e magistrados, não deve negociar valores nem temer homens.

Governantes não devem ser adulados, devem temer a Deus não apenas de palavras, devem parar de cercar-se de falsos profetas e mercenários.

A igreja não deve apoiar mercenários, lobos e falsos profetas apenas porque cercam e se aproximam de governantes! Isto é uma falsa ilusão de segurança, “paz, paz! Quando não há paz”.

Igreja verdadeira exorte de seus púlpitos e sinta vergonha de alianças pecaminosas. Deus requer fidelidade e justiça.

Governantes do lado esquerdo e direito não brinquem com Deus, não usem seu nome em vão.

A igreja é sal e luz, se o sal perde o sabor e a luz não ilumina não servirão para seu propósito.

Ideologias, opiniões, ambições de poder, interesses financeiros não são nada debaixo do castigo e disciplina do Senhor.

Os governantes, dos menores aos maiores precisam ser exortados que não passam de crianças brincando com poder. Enganam o povo, mas receberão acusações dAquele que vê e ouve o que acontece nas salas fechadas e corredores do poder.

Muitas riquezas dos governantes, dos menores aos maiores vêm da exploração de gente humilde e pobre. E muitas igrejas estão fazendo o mesmo! Seja de modo direito ou indireto.

A exploração e corrupção adoecem e matam! Retiram, desviam dinheiro do povo para regar banquetes e regalias sensuais.

Muito já foi escrito para falar como morrem as democracias, mas pouco se fala como morrem igrejas ou quando Deus retira sua luz das igrejas.

Deus pode de muitas formas trazer juízo temporal sobre seu povo e nações.

Pastores arrependam-se e repitam esta mensagem como arautos para a igreja brasileira!

Não usem esta mensagem para esconder suas ambições políticas! Não use esta mensagem para falar de político A ou B. E se fizer mau uso que Deus retribua sua maldade. 

A Palavra de Deus está acima das ideologias e jogos políticos! As mãos da nação estão sujas de sangue.

A corrupção religiosa, a corrupção política oprime o povo, a omissão gera todo tipo de estado pecaminoso e consequências de morte e destruição.

Deus é o Agricultor, conhece todas as estações e realiza a poda perfeita para que sua igreja possa florescer e servir de guia seguro para as nações.


PROFETA ISAÍAS PARA HOJE

Frases Protestantes


22.8.22

O REINO DE CRISTO, eixos escatológicos e missões mundiais, você precisa de um motor II


O REINO DE CRISTO, eixos escatológicos e missões mundiais, você precisa de um motor II

Raniere Menezes


Paulo Guedes, ministro da economia, em uma entrevista recente usou a expressão "mudança de eixo" para explicar mudanças positivas na economia do Brasil. Algo que estava caminhando em uma direção (negativa) tomou outro sentido (positivo). Este artigo não é sobre economia, mas sobre mudança de perspectiva em cosmovisão cristã, especialmente no campo da escatologia. Assim como na política ou economia, a escatologia tem consequências. Como disse Jefferson Davis, “O maior obstáculo para a missão da Igreja não é o poder dos seus inimigos espirituais, mas a própria fraqueza de fé da Igreja e compreensão parcial dos recursos invencíveis que são seus em Jesus Cristo”.

 

A terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar.

Isaías 11:9

 

Na escatologia bíblica, basicamente temos duas direções ao olhar o horizonte do futuro: Uma perspectiva sombria da história ou uma esperança de tempos melhores. Desde já, não confunda “tempos melhores” com “wishful thinking” ou um pensamento ilusório otimista; um otimismo ingênuo, mas algo relacionado às promessas de Deus reveladas nas Escrituras. Portanto, apesar das divisões de entendimento escatológico na história, podemos dividir em dois eixos: O apocalipse é iminente e o caos é inevitável ou ainda haverá um futuro de colheita da Grande Comissão.

 

Todos os confins da terra verão a salvação do nosso Deus.

Isaías 52:10

 

O que acontece no mundo real, não em um mundo imaginário, é que a cada geração, a cada século, a cada guerra, a cada epidemia, os alarmistas obcecados por teorias sombrias da história, sejam na religião, sejam na política, sempre semeiam pânicos passageiros. A cada nuvem escura na história atemorizam sobre o fim do mundo. Infelizmente muitos adoecem mentalmente com estes sensacionalismos enquanto outros tiram proveitos financeiramente ao vender suas ideias aos seus seguidores. Falta para muitos ouvir a voz dAquele que diz:

 

E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações.

Mateus 28:18,19.

 

Basta lembrar recentemente durante a pandemia de 2020 que muitos conspiradores fantasiaram estórias sobre uma rede mundial do mal que estaria prestes a ser desmontada e vencida, que famosos e políticos seriam presos, que estava havendo uma batalha espiritual e coisas do tipo. Ainda, que a pandemia era um catalisador para a vinda de um líder mundial infernal. Esta perspectiva certamente tem relação com a expectativa urgente de um apocalipse. Infelizmente, este tipo de cosmovisão não influencia apenas religião, mas política também.

 

Um dos livros que mais inspirou a visão de mundo do Steve Bannon, que é um influenciador de Direita mundial, é: "The Fourth Turning: An American Profhecy", de William Strauss e Neil Howe. É um best-seller que trata sobre visões cíclicas da história. O livro narra uma teoria sobre padrões que se repetem na história, cada ciclo tem uma duração de vida, composto de eras. Como num ciclo de estações, com ritmos de crescimento, maturação, entropia e renascimento; quatro estações. Isto aplicado à política e sociedade equivale dizer que há períodos de crises seguido de prosperidade e vice-versa. A partir dessa perspectiva cíclica, certas ideologias podem receber suporte para elaborar uma visão politica que fortaleça o populismo, nacionalismo e autoritarismo, não somente nos EUA, mas globalmente. Tanto os vieses de Direita ou Esquerda podem extrair embasamento teórico para suas ações. Nos EUA tanto democratas e republicanos usam dessa inspiração cíclica. É a munição perfeita para disputas no campo ideológico. Muita gente embarca nisso sem nem mesmo perceber.

 

Não há como arrazoar sobre premissas históricas neste breve artigo, se a historia é linear, se é cíclica ou caótica. Entretanto a mais usual é a cíclica. Algo comum até em hermenêutica amilenista ao estudar os capítulos de Apocalipse, como reencenações de uma história que se repete por outro ângulo. Esta interpretação de rotatividade pode ser aplicada das estações do ano até a duração da vida e de uma geração, as quais se desenrolam através de algo nascente, novo, que amadurece, envelhece, morre e se renova. Algo que começa forte e depois entra em crise e morre, renascendo posteriormente. E para cada fase se dá um perfil de atuação, forte ou fraco. Isto pode ser aplicado na história, na política, na economia, na religião, enfim, pode explicar crises, guerras, eras douradas, florescimentos e quedas de impérios. É uma narrativa interessante quando se desconhece ou se nega certas profecias bíblicas, como por exemplo, textos em Daniel: “...a pedra, que feriu a estátua, se tornou grande monte, e encheu toda a terra”. (Daniel 2:35). A pedra que despedaça todos os reinos é o Reino de Cristo. Se a história é linear ou cíclica, isto é discussão para os historiadores, porém biblicamente a história é decretada pelo Senhor da história, Cristo. É exatamente esta visão de Reino que se faz necessária para mudar de eixo. Deus confunde os analistas, historiadores e futuristas, porque o futuro pertence a Ele. Naquilo que Ele revelou em sua Palavra, Ele é fiel para cumprir e podemos confiar.

 

E foi-lhe dado o domínio, e a honra, e o reino, para que todos os povos, nações e línguas o servissem; o seu domínio é um domínio eterno, que não passará, e o seu reino tal, que não será destruído.

Daniel 7:14.

 

E acontecerá nos últimos dias que se firmará o monte da casa do Senhor no cume dos montes, e se elevará por cima dos outeiros; e concorrerão a ele todas as nações.

Isaías 2:2.

 

Estas cosmovisões cíclicas são úteis até certo ponto, para explicar altos e baixos de uma sociedade, até na economia. Por mais que alguém não goste da verdade bíblica, tudo que acontece, apenas acontece porque está debaixo dos decretos e da soberania de Deus. Por isso mesmo, tentar entender os planos de Deus sem uma teorreferência é especulação. Se aplicarmos, por exemplo, teorias cíclicas invariavelmente na historia da Igreja, tentaremos encontrar padrões nos avivamentos e tentaremos pontuar se estamos próximos ou não de um novo ciclo. A soberania de Deus que controla a história confunde todo sábio, seus decretos não revelados são insondáveis e inacessíveis. Por mais que as nações se agitem são movimentos inúteis para o Rei (Sl 2):

 

Por que se amotinam os gentios, e os povos imaginam coisas vãs?

Os reis da terra se levantam e os governos consultam juntamente contra o Senhor e contra o seu ungido, dizendo:

Rompamos as suas ataduras, e sacudamos de nós as suas cordas.

Aquele que habita nos céus se rirá; o Senhor zombará deles.

Salmos 2:1-4

 

Historicamente, súditos rebeldes recebiam sentenças de morte do rei, Cristo não é um Rei qualquer. “Beijai o Filho, para que se não ire”. (Salmos 2:12).

 

A escatologia das missões evangélicas do século 19 já foi considerada “doutrina comum” da igreja, assim como hoje é comum esta expectativa sombria apocalíptica da historia. Tão comum, esta de hoje, que influencia valores, culturas e religiões diversas O eixo da perspectiva sombria da história prejudica o impulso que poderia ser dado (e pode ser dado, assim como foi dado no passado) na política, economia e sociedade. É preciso um “motor II” para as missões, e este novo paradigma não é novo, é mais antigo do que a perspectiva escapista, sombria e sobrevivencialista de hoje. Os alarmistas erram a cada geração, a cada estação, a cada guerra, a cada epidemia, e o medo toma temporariamente o lugar da esperança. Não a esperança num futuro distante após um caos apocalíptico inevitável, mas esperança na história. Deus não deixou data agendada para o fim, e muitos insistem em pontuar sua agenda e trazer medo às pessoas. Muitos tribulacionistas agem como dominadores e manipuladores de rebanhos. Muitos alarmistas esquecem estas palavras:

 

Todos os limites da terra se lembrarão, e se converterão ao Senhor; e todas as famílias das nações adorarão perante a tua face.

Porque o reino é do Senhor, e ele domina entre as nações.

Salmos 22:27,28.

 

Dominará de mar a mar, e desde o rio até às extremidades da terra.

Salmos 72:8.

 

Disse o SENHOR ao meu Senhor: Assenta-te à minha mão direita, até que ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés.

O Senhor enviará o cetro da tua fortaleza desde Sião, dizendo: Domina no meio dos teus inimigos.

Salmos 110:1,2.

 

De um ponto na escatologia podemos ter certeza, todos nós morreremos, esta escatologia individual é corretíssima e incontestável, nem os incrédulos duvidam dela. De modo geral, por não sabermos nosso dia de morte, o que fazemos de nossas vidas? Apenas viveremos por respirar ou viveremos uma vida de planos e atividades? Se Deus nos dá certeza pela fé, como a ressurreição, por exemplo, o pensamento correto sobre esta crença é viver para sua glória e não como um hedonista suicida ou niilista. O apóstolo Paulo diz exatamente isso quando ensina que, se Cristo não ressuscitou estamos levando uma vida inútil e sem sentido como cristãos, vamos todos comer e beber porque somente temos a morte como algo certo. Perceba que escatologia não é uma doutrina numa lista em papel para colocar na gaveta, o modo como pensamos gera ação e experiência. Escatologia não é algo exclusivo do fim, mas do começo ao fim, toda vida, toda fé.

 

Se, como homem, combati em Éfeso contra as bestas, que me aproveita isso, se os mortos não ressuscitam? Comamos e bebamos, que amanhã morreremos.

1 Coríntios 15:32.

 

Se a expectativa sombria da história estivesse mesmo impressa como crença forte na maioria dos cristãos ao longo da história (e hoje) o que explica a construção de templos com arquiteturas de igrejas que atravessam séculos? Não se constrói igreja para durar 10 anos! Como o povo de Deus se expandiu ao longo de gerações sem multiplicação de famílias? Como fariam planos para casar, estudar, trabalhar, prosperar? A igreja investe em templos, seminários, congressos, educação, editoras e ações nas mais diversas áreas da sociedade, qual o sentido desta ação sob a perspectiva sombria na história? O eixo da perspectiva sombria apocalíptica é apenas uma abstração? Se não é uma abstração por que não leva às ações coerentes? Como alguém já disse: Vale a pena polir um casco de um navio que afunda?

 

É preciso entender que o eixo da perspectiva sombria apocalíptica na história nasceu de ideias pré e dispensacionalistas que contaminaram outras visões escatológicas e infelizmente, o sensacionalismo vende. O marketing e o jornalismo sabem disso.  A arte sabe disso, a indústria do cinema e cultural sabe disso, e exploram. Na política os alarmistas que têm mais seguidores são os que vivem de notícias bombásticas todos os dias. Não despreze o mandato de domínio:

 

E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra.

E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.

E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra.

Gênesis 1:26-28.

 

A tradição da igreja é fundamenta na Grande Comissão, não no escapismo, não na destruição da tradição. O eixo escatológico tribulacionista/futurista anda de mãos dadas com o espírito revolucionário destruidor que tenta tornar inoperante e inútil o poder das missões, o poder da expansão.  O eixo escatológico tribulacionista/futurista é um freio na velocidade de multiplicação da Grande Comissão. Não despreze o que está escrito:

 

E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra.

Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;

Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém.

Mateus 28:18-20.

 

Não perca tempo com especulações de falsos profetas. O medo tem a capacidade de paralisar ou provocar fuga ou reação. Tornar as promessas de Deus em algo obsoleto, velho, antiquado, sem função, é algo que paralisa ou diminui o avanço poderoso da Igreja. Glória a Deus pelo poder do Espírito Santo sobre a terra que soberanamente pode com uma fagulha do seu fogo incendiar uma nação num avivamento e com uma gota de sua água pode transbordar rios de água viva! Uma mudança de eixo escatológico, do medo para a esperança e fé, encoraja os fracos, levanta os abatidos. Confie nas antigas palavras dadas a Abraão:

 

Em ti serão benditas todas as famílias da terra.

Gênesis 12:3.

 

Então o levou fora, e disse: Olha agora para os céus, e conta as estrelas, se as podes contar. E disse-lhe: Assim será a tua descendência.

Gênesis 15:5.

 

Muitos na igreja hoje em dia, apesar da mensagem de fé, esperança, amor, não sentem o calor da batalha de vitória, de poder, de alegria, de vida, de cura, de justiça, paz, e muitos estão fracos e doentes, em depressão, ansiedade e com pensamentos de morte. Pouco tempo atrás muitas pessoas estavam amedrontadas com noticias de guerras, pandemias, terremotos, ate invasão de gafanhotos, e como nuvens escuras estão passando, felizmente. É preciso insistir que a Igreja observe a macro história, a Igreja no mundo já passou por guerras, muitas guerras, por muitas epidemias, por muitas mudanças culturais, e estamos aqui lendo isto em um aparelho mil vezes mais potente do que o computador que levou o homem ao espaço. E no mesmo aparelho posso num toque pedir que tragam comida e livros em minha porta. E numa pausa da sobremesa posso reservar um passeio turístico num clique. Para e pensa, imagina viajar num navio há 500 anos para chegar de um continente a outro. E dizemos que o mundo está horrível e que é o fim do mundo! A visão de Reino é esta:

 

Outra parábola lhes propôs, dizendo: O reino dos céus é semelhante ao grão de mostarda que o homem, pegando nele, semeou no seu campo;

O qual é, realmente, a menor de todas as sementes; mas, crescendo, é a maior das plantas, e faz-se uma árvore, de sorte que vêm as aves do céu, e se aninham nos seus ramos.

Outra parábola lhes disse: O reino dos céus é semelhante ao fermento, que uma mulher toma e introduz em três medidas de farinha, até que tudo esteja levedado.

Mateus 13:31-33.

 

Ao mudar o eixo escatológico não dê ouvidos aos analistas e profetas do fim do mundo. Se o mundo entrará num caos apocalíptico não adianta aprender a cultivar horta em casa. Na prática não planejamos ter filhos para oferecê-los a um mundo apocalíptico. Eventos adversos acontecem sempre, crises financeiras, governos autoritários, conflitos armados, porém existe uma nova ordem mundial revelada nas profecias que está se desenrolando lentamente na macro história e se chama Reino de Cristo. Aos cristãos, este é o eixo escatológico correto para crer e viver, venha o teu reino...na terra....como no céu! Esta nova ordem mundial, sim! Esta é durável! VENHA TEU REINO!

 

Ora, se muitos reinos falhos de homens ímpios tiveram seu tempo áureo, tiveram sua era dourada mesmo sendo governantes injustos, o que diremos do governo do Cristo, O Justo? Por qual motivo não teremos? A ordem da expansão daquela pedra que destrói todos os reinos e enche a terra do conhecimento do Rei influenciará cada vez mais nações, com esperança e não medo, com luz e não trevas, com trabalho e não com escapismo, com otimismo e não com sentimento de derrota, com inteligência para o bem, com autoridade, com confiança e fé. Em muitas gerações da história sempre tivemos governantes bons e ruins, até Maquiavel reconheceu que um governante poderoso governa sendo temido ou amado. Se já tivemos na história reis bons, como não confiar em Cristo, o subjugador de todos os inimigos?

 

É impossível termos novos governantes hoje, e amanhã, que sejam bons? Que tenham uma mente talentosa organizacional? Lideres que dominem e prezem por leis boas, justas e bíblicas? Líderes com uma mentalidade de Daniel ou de José? Independentemente do seu eixo escatológico de crença, é possível afirmar que estamos no fim e que não teremos mais uma geração de jovens como Daniel? Que governem como José ou Davi? Não teremos mais avivamentos? Não teremos mais constitucionalistas cristãos? Se afastem dos dominadores de rebanho.

 

Não permita que sua escatologia retire a esperança no que Deus ainda pode fazer entre as nações no tempo e na história, não apenas na glória e eternidade.

 

E o Deus de paz esmagará em breve Satanás debaixo dos vossos pés.

Romanos 16:20.

 

 

30.7.22

Bolsonaro, Lula e minha fé


Bolsonaro, Lula e minha fé

Raniere Menezes (Frases Protestantes – 30/07/2022)

 

[Este texto é uma adaptação de um texto escrito por Samuel Frost, e o texto original trata sobre disputas bélicas e não a política brasileira, porém faço uso de partes de suas analogias aqui].

 

A primeira e mais importante premissa é que a Igreja de Cristo importa mais que Esquerda ou Direita, mais que progressismo/socialismo e conservadorismo, mas qual o lado que mais importa à igreja cristã? Este é o ponto.

 

Os valores da Igreja (que devem ser os valores de Deus) não se limitam às ideologias políticas, os cristãos não devem ser como estrelas errantes nem soprados como folhas ao vento de um lado para outro. A Igreja de Cristo sobreviveu aos mais terríveis Imperadores e ditadores da história, sobreviveu contra tudo e todos desde Jerusalém até os confins da Terra. Muitos missionários espalhados pelo mundo estão neste exato momento sendo fuzilados, presos, torturados e decapitados por causa de sua fé, enquanto muitos de nós em igrejas climatizadas no porcelanato estamos reclamando de problemas pequenos e perfumarias. E como um desencargo de consciência, para nos sentirmos bem com nossa espiritualidade, por vezes dizemos: "Vamos orar pela Ucrânia" ou “Vamos orar pelas vítimas da tragédia recente”.

 

De volta a nossa realidade política (nosso assunto central), o que deve interessar ao cristão é o Reino de Cristo. A Igreja é coluna da verdade e a verdade ensina a não confiar em poderosos, príncipes, homens. Não é uma questão em confiar ou não confiar no candidato político A ou B, mas não colocar, não depositar toda confiança em homens, pelo simples fato de serem falhos, e por serem falhos sempre decepcionarão. Mas a escolha deverá ser feita, e a melhor escolha será a que favorece a Igreja. Sim! O negócio do cristão é a igreja, e mesmo que você não goste do termo negócio, ou você trabalha em favor do Reino de Cristo ou contra. Negócio pode ser entendido como uma atividade e empreendimento que requer diligência, esforço e trabalho.

 

E ele lhes disse: Por que é que me procuráveis? Não sabeis que me convém tratar dos negócios de meu Pai? Lucas 2:49.

 

Políticos, partidos e profissionais de marketing são terrivelmente demagogos, agem como a mídia manipuladora, que mente e faz militância. Os três “Emes” da Mídia: Manipular, mentir e militar fazem parte da política. O inimigo de ontem é o aliado de amanhã, isto é a política profissionalizada por pessoas sem a menor ética. A igreja não deve cair em ilusões românticas sobre a política, nossa origem é cruz, caminho estreito. Qualquer partido ou político que trabalha para descontruir os valores da comunidade cristã não serve e deve ser altamente combatido e rejeitado. E prepare-se, ao rejeitar os valores anticristãos você será colocado na lista dos que proclamam uma política de ódio. A Igreja ultrapassa eras, quem deve ir para a lata de lixo da história são os maus políticos e partidos.

 

Muito se fala hoje em intolerância e polarização, mas você já parou para pensar que se você não fugir da agenda que interessa a Igreja, você será rotulado como intolerante e fundamentalista? Fale publicamente a favor da vida (contra o aborto), da família tradicional, ideologia de gênero, feminismo, contra as drogas. Faça um teste e veja a mágica acontecer. Acrescente um discurso anticomunista, antiglobalista, antiecumênico e conservador cristão. Por isso e de modo equivocado alguns acham que é possível assumir uma postura de neutralidade e apolítica.

 

Talvez alguns não queiram se envolver para não atrair problemas, mas mesmo que se omitam alguém terá que reivindicar direitos e liberdades por estas pessoas. Aos omissos, se não ajuntam, não espalhem, não atrapalhem os compromissados e aguerridos.

 

Quem não é comigo é contra mim; e quem comigo não ajunta, espalha. Mateus 12:30.

 

Nosso negócio é a igreja cristã, não o ecumenismo. Nas próximas eleições o que vai definir é encontrar as linhas mestras que unem evangélicos e católicos politicamente. Nós colocamos o dedo no botão da urna eleitoral, mas não regulamos comportamento humano e mudança de coração. A igreja não muda o coração de ninguém, isto é papel especifico de Deus. A política é um ajuste, uma calibragem para que não atrapalhe a marcha da Igreja. Este é o nosso negócio.

 

A igreja deve votar em candidatos e partidos que não mexam em seus direitos adquiridos, seria uma grande tolice votar contra direitos adquiridos. Não votamos em partidos para mudar a sociedade, a sociedade pode ser transformada por Cristo, através da pregação do Evangelho e do poder de Deus. Mesmo debaixo de sol ou chuva, mesmo sob perseguição ou liberdade, a Igreja marcha incansavelmente na pregação do Evangelho. Mesmo que o Evangelho esteja hoje diluído em mensagens diversas, uma pequena porção da verdade tem um poder de um átomo manipulado para irradiar energia e acender o fogo de mil infernos. Ainda que haja fraqueza nos mensageiros, a mensagem tem se espalhado por todos os lugares e por diversos meios. Deus tem os seus que não se dobram aos deuses. A igreja não transforma a politica, educação e cultura na ponta do fuzil, mas ataca a politica, a educação e a cultura pela pregação do Evangelho e ousadia poderosa do Espírito Santo.

 

Não é por violência nem revolução, mas pelo poder de Deus. A expansão política é apenas uma consequência indireta. É a simples lógica do crescimento e da maioria, quanto maior a expansão dos valores cristãos, mais influencia em todas as camadas sociais. Assim aconteceu no Império Romano dos primeiros séculos.

 

Mais pessoas alcançadas, mais influência, mais favorecimentos de politicas pró-Igreja. Sem jamais perder a estratégia que funciona há milênios, primeiro o Reino. Este é o pilar inegociável do Evangelho. Primeiro o Reino.

 

Não é simplesmente confiar (cegamente, sem discernimento) na política, fazer isto é confiar em homens, e pessoas sempre decepcionam. A Igreja tem a seu favor a verdade do Evangelho, o poder do Espírito Santo e a história. Não é qualquer política circunstancial que vai remover raízes de milênios. Pela história a Igreja sabe o que é ser minoria e o que é ser maioria, numa sociedade (como povo de Deus temos relatos vívidos do que é viver sob o jugo dos antigos impérios e como os impérios passam). O que começou com uma dúzia de pessoas no Oriente Médio hoje ultrapassa bilhões de pessoas. A Igreja marcha invicta!

 

A Igreja hoje parece fraca, imatura, infantil, em apostasia? Lembrem-se, os problemas que a igreja tem não começaram ontem, temos o peso da história, da tradição e da providência. Deus tem um cuidado especial com seu povo. O peso da história em cada região, em todas as nações, é relevante. As ideologias anticristãs tenta inculcar que a igreja é nômade, que não estabelece raiz, que as pessoas não precisam de uma família tradicional, que não precisam de identidade biológica e tentam a todo o momento forçar uma falta de pertencimento a uma comunidade e os valores da sociedade cristã. As ideologias anticristãs trabalham na desconstrução cultural de tudo que não serve para elas. E podemos, como Igreja, dizer o mesmo, os valores culturais anticristãos não servem ao povo da cruz.

 

No livro Doutrina Cristã de Santo Agostinho, é extraído que o Cristianismo deve explorar o paganismo como um tipo de aspecto redentivo, como um ideal cultural.  Agostinho usou como fundamento Êxodo 2.22, 11.2, 12.35,36. A Igreja como dono legítimo (de todas as coisas) contra os injustos detentores. Conclui que os bens culturais dos pagãos deveriam ser tomados. Mais ou menos o que Constantino fez ao retirar os símbolos pagãos para dar novo uso em Constantinopla.

 

Querem destruir literalmente a história, desde estátuas queimadas aos livros didáticos alterados. As ideologias não se firmam em grandes histórias, dos grandes feitos, daí fragmentam, desenvolvem micro histórias científicas, ecológicas, tecnológicas, feministas, tribais. É um processo de desconstrução das bases mais firmes para gerar pessoas sem raízes. Destroem o ser humano da realidade familiar, de suas raízes, de sua biologia, de sua linguagem.

 

O movimento de desconstrução (e mutações) não é novo, as origens estão nas páginas mais antigas da história humana. Mas muitos compram a ideia que é algo novo (a produção cultural vende como algo novo). Por isso, a força histórica da igreja é exatamente não comprar ideias repaginadas, é conhecer a realidade, muitas vezes horrível. Temos uma lista de erros da igreja, não temos um Novo Céu e Nova Terra chegados, mas estamos no caminho sob promessas fiéis.

 

Uma realidade tangível nas sociedades é entender como princípio fundamental as leis da maioria e minorias. A igreja é um projeto eficaz porque ela sobrevive em qualquer geração e sob qualquer sistema ou regime político. O avanço ou recuo da causa cristã pela política só funciona na medida em que a maioria tolera, obviamente pela Providência divina. Temos o exemplo da Igreja Primitiva pré-Constantino e pós-Constantino. Toda sociedade opera por meio de cooperação e compromisso dos cidadãos, e, a depender das associações maiores e menores desses cidadãos, haverá cooperação ou não. A melhor estratégia (com consequências políticas) é a propagação do Evangelho, como orientado na Grande Comissão em Mateus 28 e saber usar as armas corretas.

 

Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas sim poderosas em Deus para destruição das fortalezas. 2 Coríntios 10:4.

 

A igreja tem cidadania no Céu, mas conectada à Terra. A igreja militante marcha na terra, com visão e poder do céu. Não somos seres etéreos, vivemos pelo Reino assim na Terra como no Céu. Ser radicalmente apolítico é tolice. É de grande ignorância histórica não tirar proveito dos direitos adquiridos. Assim como não negamos as leis da física, temos necessidades sociais para manter nossa segurança e autopreservação.

 

A igreja pode ser reunir em cavernas, catacumbas subterrâneas, desertos e embaixo de árvores? Sim! Mas também pode se reunir num bom abrigo público seguro, com instalações cômodas? Sim. A igreja pode viver se conectando em códigos, na clandestinidade, de modo discreto ou secreto? Sim, debaixo de níveis de perseguição é altamente recomendável este procedimento. Contudo, qual igreja não quer aumentar seus recursos?

 

Quem desenha uma planta de Igreja para querê-la vazia? A igreja tem um mandato cultural para o Reino de Deus. O Salmo segundo diz que as nações sem Deus são enfurecidas e planejam coisas fúteis, planejam em vão. Boas decisões para a igreja cristã são decisões que favorecem a expansão do Reino de Deus. Nosso coração e nossa oração estão com o Reino de Deus. Novos Céus e Nova Terra estão reservados para o povo de Deus. Cristo morreu por seu povo. Os ímpios estejam em qualquer espectro político são mentirosos, assassinos, ladrões, tudo fazem pelo poder, ganância e corrupção.

 

Políticos eleitos mudam leis, indicam magistrados e cortes, não se trata de algo irrelevante no funcionamento de uma sociedade como a nossa. Devemos sim adentrar em todas as instituições da sociedade, sem perder o foco da missão. Ecclesia Christi est quam ad me attinet! É com a Igreja de Cristo que estou preocupado.  Temos uma pátria dentro das nações, por isso os cristãos primitivos foram acusados de inimigos de Cesar. Temos uma Nação dada a Cristo e por Cristo, povos, línguas e nações. Chamamos Jesus de o Deus das nações. Esta mentalidade está acima de Direita e Esquerda, acima do candidato A ou B, do homem forte ou sábio, do partido vermelho ou azul. Não serei patriota por isso? Ecclesia Christi est quam ad me attinet! É com a Igreja de Cristo que estou preocupado.

 

Se este é o meu negócio, o negócio do Reino, não poderei cooperar com ideologias marxistas globalistas. E quem se declara cristão e não quiser ser rotulado de radical, extremista, fundamentalista, reacionário e fascista, pelo menos não atrapalhe quem está no enfrentamento contra a esquerda. Naquilo que a Direita errar, segundo o parâmetro da agenda da Igreja, devemos confrontar as autoridades profeticamente, caso exerçamos influência nas esferas da sociedade.

 

Pelo testemunho da história e dos mártires, a Igreja não deve apoiar a agenda comunista. Assim como toda ideologia que legitima o roubo, mentiras e assassinatos devem ser rejeitados. O comunismo (hoje se leia: socialismo) condena o cristianismo e para eles a religião é o ópio do povo. A corrupção política é um grande problema para qualquer povo, mas o maior dos problemas é a inversão de valores, este é o legado nefasto dos inimigos de Deus no poder.

 

Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal; que fazem das trevas luz, e da luz trevas; e fazem do amargo doce, e do doce amargo! Isaías 5:20.

 

Como maioria cristã no Brasil, católicos e evangélicos devem cooperar com a vontade do Reino de Cristo. O Brasil hoje é a maior nação cristã da América Latina, entre católicos e evangélicos, e ao lidar com os desafios não deve se acovardar. Deus não nos deu espírito de covardia, mas de ousadia, pelo poder do Espírito Santo. A Igreja deve ser sal da terra e luz do mundo. Os eleitos de Deus são cidadãos dos Céus (e da Terra). A Igreja pode ser apartidária, mas jamais apolítica. Os políticos não precisam nem devem usar os púlpitos, mas dialogar com os membros e ministros da igreja. Nunca perca de vista a missão do Reino, ou melhor, a comissão, a Grande Comissão. E pergunte-se: O que estou fazendo para servir e promover o Reino de Cristo?

 

Os Guinness escreveu em seu livro The American Hour: “Uma geração que não lê os sinais dos tempos pode ser forçada a ler a escrita na parede”.