Quandoo jogo acaba,
o rei e o peão
vão para a mesma caixa.
João Saldanha
De fato, a História da igreja indica que o povo de Deus frequentemente exibe a maior vitalidade espiritual quando a sociedade externa está num estado de crise e declínio. Os primeiros cristãos demonstraram grande vitalidade espiritual em meio aos tumultos políticos, sociais, econômicos e morais do Império Romano em declínio. A fé e a vida comunitária deles era uma atração poderosa a muitas pessoas atordoadas em meio ao caos daquela época. Durante o século dezenove, quando a igreja encarou os desafios da urbanização, industrialização, alta crítica, darwinismo e marxismo, o empreendimento missionário protestante estava experimentando uma expansão sem precedentes em número e alcance geográfico.

Desde os seus primeiros dias, e por toda a História, a igreja tem enfrentado um mundo hostil, que deseja a sua destruição. Hoje, a igreja é confrontada com inimigos de todos os lados, e há perseguição de crentes em várias nações. No Ocidente, a igreja não é mais um agente respeitado ou dominante na sociedade; pelo contrário, ela é desprezada e ridicularizada. O mal cresce a cada dia e uma cosmovisão pagã aprisionou as mentes de jovens e velhos, à medida que a influência da cosmovisão cristã diminui. O Estadismo tem atraído as nações do mundo, e os homens têm rejeitado o verdadeiro Messias por um Estado messiânico; a salvação é vista em termos do poder do governo civil e da legislação, e não em termos do poder do sangue expiatório de Cristo. As leis de Deus foram trocadas pelas leis dos homens. O evangelho é pregado em muitas terras e há muitas “profi ssões” de fé, mas o evangelho que é pregado normalmente é destituído de um chamado ao arrependimento e submissão ao senhorio de Cristo. Na maioria das igrejas, o modelo de discipulado é aquele do pietismo, a teologia é arminiana e antropocêntrica, e a perspectiva sobre o futuro é pessimista. A igreja entrou no século 21 em retrocesso, praguejada por falsa doutrina, divisão e mundaneidade. Os lugares onde a igreja está exercendo uma influência cultural ampla são poucos, se é que há algum. Os inimigos de Deus estão rindo diante da queda da igreja em irrelevância e impotência.
Aos poucos os evangélicos vão caindo na real e se tornam protestantes!
O Deus deste século vinte não se assemelha mais ao Soberano Supremo das Escrituras Sagradas do que a bruxuleante e fosca chama de uma vela se assemelha à glória do sol do meio-dia. O Deus de que se fala atualmente no púlpito comum, comentado na escola dominical em geral, mencionado na maior parte da literatura religiosa da atualidade e pregado em muitas das conferências bíblicas, assim chamadas, é uma ficção engendrada pelo homem, uma invenção do sentimentalismo piegas. Os idólatras do lado de fora da cristandade fazem "deuses" de madeira e de pedra, enquanto que os milhões de idólatras que existem dentro da cristandade fabricam um Deus extraído de suas mentes carnais. Na realidade, não passam de ateus, pois não existe alternativa possível senão a de um Deus absolutamente supremo, ou nenhum deus. Um Deus cuja vontade é impedida, cujos desígnios são frustrados, cujo propósito é derrotado, nada tem que se lhe permita chamar Deidade, e, longe de ser digno objeto de culto, só merece desprezo.